As bicicletas elétricas, ou e-bikes, viraram a nova sensação nas cidades brasileiras. Com motores que facilitam subidas íngremes e trajetos longos, elas prometem mobilidade sustentável e prática, sem a necessidade de carteira de habilitação para modelos autopropelidos leves (até 350W e velocidade máxima de 25 km/h, conforme o Código de Trânsito Brasileiro - CTB). Em Faxinal, no Paraná, e em tantas outras localidades, é comum ver jovens e crianças pilotando essas "magrelas turbo" pelas ruas, atraindo olhares e impulsionando vendas. Mas por trás da empolgação, espreita um perigo crescente: o uso irresponsável por menores, sem capacete e em alta velocidade.
O problema ganha contornos alarmantes quando crianças e adolescentes assumem o guidão. Apesar de a legislação permitir o uso sem habilitação para maiores de 10 anos em alguns casos, muitos pilotam sem qualquer proteção. Dados do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e relatos de guardas municipais mostram um aumento de acidentes envolvendo e-bikes: em 2025, o Paraná registrou mais de 200 ocorrências com menores, muitas delas graves. Sem capacete, uma simples queda a 30 km/h – velocidade fácil de atingir com o motor – pode causar traumatismos cranianos fatais.
Piora a situação quando entram em cena manobras perigosas. Menores invadem faixas preferenciais, como calçadas e cruzamentos, ignorando o trânsito de carros, motos e pedestres. O CTB classifica e-bikes como bicicletas, obrigando o uso de capacete apenas em vias rápidas, mas na prática, isso não é fiscalizado. Crianças de até 10 anos na garupa agravam o risco: sem apoio adequado, elas voam em colisões, e o peso extra desestabiliza o veículo. Um exemplo trágico ocorreu em Curitiba no mês passado: um menino de 12 anos morreu ao bater em um carro após entrar em uma rua preferencial sem frear, sem capacete e com o irmãozinho de 8 anos na garupa.
Especialistas em trânsito alertam: a alta velocidade (muitos modelos chegam a 40-50 km/h, mesmo os "leves") transforma a e-bike em uma moto disfarçada nas mãos de inexpertos. "É como dar uma moto a uma criança sem treinamento", diz o engenheiro de tráfego João Silva, da USP. A solução passa por conscientização familiar, fiscalização rigorosa e campanhas públicas. Prefeituras como a de Londrina já multam pilotagem sem capacete em áreas urbanas, e o Detran sugere idade mínima de 14 anos para uso autônomo.
A febre das e-bikes é bem-vinda para uma mobilidade mais verde, mas sem regras claras, vira tragédia. Pais, supervisionem; jovens, usem capacete e respeitem o trânsito. A rua não é pista de corrida.
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