Após três semanas do primeiro turno, milhões de brasileiros voltaram às urnas em 51 cidades, incluindo 15 capitais, para decidir a eleição para prefeito. No entanto, uma marca histórica foi registrada: a abstenção chegou a 29%, a segunda maior taxa da história das eleições no Brasil, atrás apenas da registrada durante a pandemia. Esse índice reflete o desinteresse de uma parcela significativa da população, embora milhões de cidadãos tenham exercido seu direito de voto.
O “Centrão” consagrou-se como o grande vencedor do segundo turno, com PSD e MDB dominando o cenário político: as duas legendas foram as que mais elegeram prefeitos em todo o país, além de terem conquistado cinco capitais cada uma. Algumas das eleições mais disputadas do país ocorreram em Fortaleza, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Manaus, onde resultados inesperados marcaram a virada eleitoral em cinco capitais — situações em que candidatos que lideraram o primeiro turno perderam a liderança no segundo.
Em Fortaleza, o petista Evandro Leitão venceu uma disputa acirrada contra André Fernandes, do PL, com uma margem de apenas 0,7%, o equivalente a 10,8 mil votos. Já em São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes foi reeleito com 59,35% dos votos, derrotando Guilherme Boulos (40,65%) em uma campanha marcada por acusações sobre uma suposta interferência do PCC, o que levou Boulos à Justiça contra Nunes e o governador Tarcísio. Em Belo Horizonte, o atual prefeito Fuad Noman garantiu a reeleição com 53,73% dos votos, enquanto em Porto Alegre e Manaus, Sebastião Melo e David Almeida, respectivamente, conquistaram a reeleição com folga sobre seus adversários.
Esses resultados demonstram um panorama eleitoral que já projeta os desafios para as eleições presidenciais de 2026. Em São Paulo, o desempenho de Boulos sugere dificuldades para a esquerda consolidar uma sucessão a Lula, enquanto o apoio de figuras como Bolsonaro e Tarcísio em várias cidades mostrou-se decisivo, destacando a influência política do ex-presidente mesmo fora da corrida eleitoral direta. A direita vem consolidando presença nas eleições municipais desde 2016, mas, em 2022, a ascensão de Lula à Presidência demonstrou uma volatilidade no comportamento eleitoral brasileiro, o que coloca em pauta as diretrizes dos partidos para 2026.
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