Em Mauá da Serra, no sábado (21 de fevereiro), por volta das 17h30, uma briga violenta terminou com duas vítimas feridas por arma branca no Posto de Saúde Central. A Polícia Militar foi acionada via 190 após uma mulher de 27 anos dar entrada com corte na virilha e uma adolescente de 13 anos com lesão na coxa esquerda. A mãe da menor acompanhava o atendimento. Segundo o relato inicial das vítimas, tudo começou em uma residência na Rua Santa Luzia, no bairro Santa Maria, durante um suposto churrasco oferecido por uma mulher de 51 anos, dona da casa.
De acordo com as lesadas, elas foram convidadas para o evento, mas ao chegar foram atacadas por uma adolescente de 17 anos armada com canivete. A motivação apontada seria ciúmes: um homem de 43 anos, ex-companheiro da agressora, estaria envolvido romanticamente com a mulher de 27 anos. Na confusão, a proprietária da casa também sofreu ferimento na região genital.
O caso ganhou novos contornos nesta semana, quando a adolescente de 17 anos procurou a reportagem para apresentar sua versão. Ela nega veementemente qualquer briga por homem e descreve o episódio como legítima defesa. "Eu só fui lá pagar uma conta", afirma a jovem. Segundo ela, foi ofendida com xingamentos e ataques verbais, incluindo conteúdo racista, e tentou se afastar para evitar discussão.
A situação escalou, relata a adolescente, quando mulheres adultas foram até a casa de uma amiga dela para agredi-la. "Me puxaram pelos cabelos, me bateram com socos e chutes, e quebraram uma garrafa de vidro na minha cabeça", descreve. Cercada e acuada, ela pegou um canivete que estava sobre uma mesa na residência e se defendeu. "Não quis matar ninguém, os golpes não foram em lugares vitais", sustenta, reforçando que agiu em autodefesa.
A mãe da jovem corrobora o relato da filha. Ela levou a adolescente à Delegacia de Marilândia do Sul para prestar depoimento e entregar a arma usada. "Minha filha está sendo ameaçada", denuncia a mulher, que menciona um vídeo em que uma das envolvidas aparece correndo pela rua com um facão. A família já busca apoio jurídico e confia na apuração das autoridades.
A Polícia Civil de Mauá da Serra investiga o caso. Todas as partes serão ouvidas, e provas como imagens, mensagens e o vídeo serão analisadas para esclarecer os fatos. A ocorrência expõe contradições graves: de um lado, acusação de ataque premeditado por ciúmes; do outro, defesa contra agressão coletiva e racismo. A verdade deve emergir das investigações, enquanto as famílias lidam com o trauma e as ameaças.
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