O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, rejeitou o pedido da base aliada do governo para anular a votação de requerimentos realizada na semana passada pela CPMI do INSS. A decisão mantém aprovada a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele é investigado por suposta proximidade com o lobista Antônio Carlos Antunes, o "Careca do INSS", figura central nas fraudes que teriam desviado bilhões em descontos indevidos de aposentadorias.
Alcolumbre justificou a recusa argumentando que os governistas contavam com apenas 14 dos 16 votos necessários para derrubar os requerimentos, conforme registro no painel eletrônico do Senado. "Foi uma decisão estritamente técnica", reforçou o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que destacou ter seguido o Regimento Interno da Casa desde o início dos trabalhos. "Eu fui transparente em todos os instantes, buscando a verdade sem pressões políticas ou posicionamentos pessoais", afirmou Viana, enfatizando a imparcialidade da comissão.
A base governista, liderada pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder no Congresso Nacional, minimizou a rejeição como derrota. Rodrigues lembrou que o sigilo de Lulinha já havia sido quebrado anteriormente pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, o recurso ao presidente do Senado visava corrigir falhas procedimentais na votação, garantindo a apreciação de outros 20 a 25 requerimentos de quebra de sigilo propostos pela oposição. Esses miram pessoas ligadas a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, como a chefe de escritório do filho dele, também suspeita de relações com o "Careca do INSS".
"Não há objeção aos 87 requerimentos aprovados. Nosso questionamento era sobre a forma e o procedimento. É importante quebrar o sigilo do filho do atual presidente, mas também da chefe de escritório do filho do ex-presidente", rebateu Rodrigues, defendendo equilíbrio nas investigações.
A defesa de Fábio Luís negou qualquer envolvimento nas fraudes do INSS e sinalizou possível recurso ao STF contra a quebra de sigilo determinada pela CPMI. A comissão, instalada para apurar os desvios estimados em R$ 6,3 bilhões, segue sob tensões políticas, com governistas e oposição trocando acusações de seletividade.
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