Em uma articulação que pegou o Palácio do Planalto de surpresa, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal derrubaram, por ampla maioria, os decretos do presidente Lula que elevavam o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A votação, inicialmente não prevista para esta semana, acentua a tensão entre os Poderes e impõe uma derrota significativa ao governo, que agora terá de lidar com um rombo de R$ 10 bilhões na arrecadação de 2025.
A manobra, descrita como tendo ocorrido na "calada da noite" de segunda-feira, viu a proposta ser incluída na pauta e aprovada com folga já no dia seguinte. Este movimento acelerado reflete a crescente insatisfação de parlamentares com o Executivo. Entre os motivos para o descontentamento estão os atrasos no pagamento de emendas, a falha na articulação política do governo e o discurso presidencial de que o Congresso estaria "chantageando" o Planalto. A insatisfação é tão profunda que até mesmo partidos da base governista votaram pela revogação do aumento das taxas.
Para a equipe econômica, a derrubada do IOF é um duro golpe, que pode levar à ampliação dos bloqueios no Orçamento de 2025, que já possui R$ 31 bilhões travados. Este episódio marca a primeira vez desde 1992 que o Congresso revoga um decreto tributário presidencial, evidenciando o alto custo político da agenda fiscal do governo.
Outras pautas no Legislativo
Além da revogação do IOF, os parlamentares também aprovaram outro projeto de grande interesse para a classe política: o aumento do número de deputados federais de 513 para 531 a partir da próxima legislatura, que se inicia em 2027. A decisão, que ainda depende da sanção presidencial, gerará um custo anual estimado em R$ 65 milhões.
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