A Acadêmicos de Niterói, escola de samba que estreou no Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro com um enredo polêmico em homenagem ao presidente Lula, foi rebaixada para a Liga após terminar em último lugar na apuração desta quarta-feira (18). O desfile, intitulado "Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", narrou a trajetória do petista desde a infância no agreste pernambucano, a migração para São Paulo, o trabalho como torneiro mecânico e a liderança sindical, culminando em sua posse na Presidência da República.
A apresentação gerou controvérsias logo no início. A comissão de frente recriou a rampa do Palácio do Planalto, simbolizando a posse de Lula em 2023, com integrantes da sociedade civil ao lado. Atores e bailarinos personificaram figuras como o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro, o que foi interpretado por críticos como uma provocação aos cristãos e à família brasileira tradicional, embora a escola negasse intenções de zombaria.
O carro abre-alas destacou a origem nordestina de Lula, misturando exuberância natural com a escassez do sertão pernambucano. Outras alegorias trouxeram críticas diretas ao governo Bolsonaro: uma satirizava as políticas sociais da era anterior e a gestão da pandemia de Covid-19, enquanto outra aludia à prisão do ex-presidente em 2018. Apesar do esforço temático, a escola recebeu apenas duas notas 10 ao longo da apuração, evidenciando falhas na execução.
Problemas técnicos agravaram o desempenho. Na dispersão, alegorias ficaram presas na saída da Avenida Marquês de Sapucaí, gerando correria no fim do desfile. A estrutura permaneceu no local mesmo após o término, o que, segundo a Imperatriz Leopoldinense – escola seguinte na programação –, prejudicou sua própria passagem. Esses incidentes contribuíram para a baixa pontuação final, selando o rebaixamento da estreante.
O carnaval de 2026, realizado nos dias 15 e 16 na Sapucaí, reforça a tradição de enredos políticos nas escolas de samba, mas o caso da Acadêmicos de Niterói reacende debates sobre limites entre homenagem e polarização.
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