As três maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil — Vibra, Ipiranga e Raízen — anunciaram que não vão participar da primeira fase do programa de subvenção ao diesel lançado pelo governo federal. A iniciativa, idealizada para conter a escalada dos preços dos combustíveis e mitigar os efeitos da crise econômica, perde força sem a adesão dessas gigantes, que dominam o mercado.
O programa estabelece um preço-teto artificial para o diesel, essencial para o país que importa cerca de 30% do consumo desse derivado de petróleo. Para viabilizar a medida, o governo promete ressarcir as perdas das empresas participantes por meio de pagamentos diretos. No entanto, as distribuidoras classificam o teto como inviável, argumentando que ele não cobre os custos reais do diesel importado, cujas cotações dispararam no mercado internacional.
Essa recusa é um revés para o Palácio do Planalto. As três empresas controlam 50% das importações privadas do combustível, o que reduz drasticamente o alcance da subvenção. Sem elas, o impacto na bomba de abastecimento deve ser mínimo, frustrando expectativas de alívio imediato para caminhoneiros, transportadoras e consumidores finais, que enfrentam reajustes constantes.
A decisão ocorre em meio a um pacote de medidas do presidente Lula para amortecer os efeitos da alta global dos preços dos combustíveis na economia brasileira. Nesta semana, o governo fechou acordo com os estados para cortar o ICMS sobre gasolina, etanol e diesel, visando frear a inflação e evitar paralisações no setor de transportes. Analistas apontam que a dependência de importações expõe o Brasil a volatilidades externas, como tensões geopolíticas e flutuações no petróleo.
Fontes do setor afirmam que as distribuidoras aguardam ajustes no modelo de subvenção para avaliar adesão futura. Enquanto isso, o diesel segue pressionando custos logísticos e o bolso do brasileiro.
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