O Irã anunciou nesta quarta-feira (11) que não participará da Copa do Mundo de 2026, sediada por Estados Unidos, México e Canadá, em resposta aos ataques aéreos lançados pelos EUA e Israel contra o país há quase duas semanas. Os bombardeios, iniciados em 28 de fevereiro, mataram o líder supremo da República Islâmica, o aiatolá Ali Khamenei, e mais de 1.300 civis iranianos, segundo o embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani. O ministro dos Esportes, Ahmad Donyamali, declarou à televisão estatal que "esse regime corrupto assassinou nosso líder" e que "sob nenhuma circunstância podemos participar". Ele destacou a insegurança para as crianças iranianas e as "ações maliciosas" que impuseram "duas guerras em oito ou nove meses", matando milhares de cidadãos.
A decisão ocorre após o Irã dominar as eliminatórias asiáticas e se classificar em março do ano passado. No sorteio de dezembro, a seleção ficou no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia, com todas as três partidas nos EUA: duas em Los Angeles e uma em Seattle. O país já havia boicotado a cúpula de planejamento da Fifa em Atlanta na semana passada, sendo a única nação ausente.
A Fifa não se manifestou imediatamente sobre o boicote, mas seu regulamento prevê multa mínima de 250 mil francos suíços (R$ 1,7 milhão) para desistências com mais de 30 dias antes da estreia, além de possível expulsão de competições futuras ou substituição por outra seleção. A Reuters contatou a Federação Iraniana de Futebol, sem resposta até o momento. Uma fonte em Teerã confirmou que a ausência é definitiva, estendendo-se também a jogos preparatórios devido à guerra.
Em contraponto, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, relatou reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump, que teria reiterado a "bem-vinda" à seleção iraniana. Trump havia dito anteriormente "eu realmente não me importo" com a participação do Irã, mas Infantino descreveu a conversa como "produtiva". O torneio, expandido para 48 seleções, ocorre de 11 de junho a 19 de julho.
O conflito no Golfo Pérsico escalou com os ataques, gerando instabilidade regional e agora impactando o esporte global.
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