Em um movimento que intensifica o conflito no Oriente Médio, forças israelenses bombardearam o prédio em Qom onde a Assembleia de Peritos iraniana se reunia para eleger o sucessor do aiatolá Ali Khamenei, falecido recentemente. O ataque aconteceu exatamente no prazo limite estipulado pelo governo interino de Teerã, que havia prometido revelar o novo Líder Supremo ainda nesta terça-feira.
De acordo com relatos iniciais da mídia estatal iraniana, como a agência Tasnim e a TV Press, o edifício foi evacuado minutos antes do impacto dos mísseis. Isso sugere que clérigos influentes e altos oficiais conseguiram escapar ilesos, evitando uma perda catastrófica para a hierarquia xiita. No entanto, as autoridades iranianas não confirmaram oficialmente a evacuação ou o número de vítimas, mantendo o país em suspense enquanto buscam estabilizar a transição de poder após a morte de Khamenei, aos 86 anos, em consequência de complicações cardíacas.
O bombardeio, atribuído a drones e mísseis de precisão lançados de território israelense, destruiu grande parte da estrutura histórica, símbolo do poder teocrático iraniano. Analistas ocidentais veem o ataque como uma mensagem clara de Tel Aviv contra qualquer sucessão que perpetue a hostilidade com Israel, especialmente em meio a negociações nucleares estagnadas e recentes confrontos com proxies iranianos no Líbano e na Síria. "Israel não permitirá que o regime dos aiatolás se reforce sem consequências", declarou um porta-voz do exército israelense, sem admitir responsabilidade direta.
No Irã, a fúria é palpável. O presidente interino, Mohammad Mokhber, convocou uma sessão de emergência do Conselho de Guardiães e prometeu retaliação "proporcional e inevitável". Manifestações espontâneas eclodiram em Teerã e Mashhad, com multidões queimando bandeiras israelenses e bandeiras americanas, acusando Washington de conivência. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) já mobiliza forças na fronteira com o Iraque, sinalizando possível escalada.
Essa ação ocorre em um momento delicado para o Irã, mergulhado em uma crise sucessória inédita desde a Revolução Islâmica de 1979. A Assembleia de Peritos, composta por 88 clérigos conservadores, era o único órgão autorizado a nomear o novo Líder Supremo, cargo vitalício que detém poder absoluto sobre política externa, forças armadas e justiça. Com o atraso forçado, especulações crescem sobre favoritos como Mojtaba Khamenei, filho do falecido líder, ou o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Eje'i.
A comunidade internacional reage com preocupação. A ONU convocou reunião de emergência do Conselho de Segurança para amanhã, enquanto a União Europeia pede moderação. Os EUA, sob o presidente Biden em fim de mandato, reiteraram apoio a Israel, mas alertaram contra "uma guerra regional". Preços do petróleo saltaram 8% em Nova York, refletindo temores de interrupção no Estreito de Ormuz.
O incidente expõe as fragilidades do regime teocrático iraniano, que enfrenta protestos internos por direitos das mulheres e sanções econômicas. Resta saber se o bombardeio enfraquecerá ou unificará os hardliners em Teerã, potencializando uma nova fase de instabilidade no Golfo Pérsico.
Comentários: