A janela partidária, período em que deputados federais podem trocar de legenda sem perder o mandato, encerrou na última sexta-feira (4 de abril de 2026) e provocou uma verdadeira reconfiguração no tabuleiro político do Congresso Nacional. Mais de 120 trocas — equivalente a cerca de 25% do total de 513 parlamentares — marcaram o fim dessa fase, consolidando o avanço da direita e expondo o desgaste do Centrão tradicional.
O grande destaque foi o Partido Liberal (PL), da família Bolsonaro, que registrou 20 adesões e apenas sete saídas, resultando em ganho líquido de 13 deputados. Com isso, a legenda agora ostenta a maior bancada da Câmara, com exatos 100 parlamentares — quase um quinto do total da Casa. Esse crescimento reforça o domínio conservador e sinaliza otimismo para as eleições de 2026, especialmente com Flávio Bolsonaro em empate técnico com o presidente Lula nas pesquisas para o Planalto.
Outros partidos da direita também saíram fortalecidos. O Podemos, por exemplo, teve 13 entradas contra duas saídas, fechando com saldo positivo de nove deputados. Esses movimentos não são meros números: no Congresso, o tamanho da bancada significa mais poder. Partidos maiores garantem verbas maiores do fundo partidário, tempo de TV ampliado em eleições e influência dominante nas comissões legislativas, além de facilitar a reeleição de seus quadros.
Do lado oposto, o Centrão — bloco pragmático que historicamente dita o ritmo do Congresso — mostrou sinais de erosão. O União Brasil perdeu terreno com 28 saídas e 21 adesões (saldo de -7); o PSD registrou 13 baixas e nove chegadas (-4); e o MDB teve 13 saídas contra sete entradas (-6). Esses números indicam um esvaziamento gradual, com parlamentares migrando para legendas que prometem mais vitórias eleitorais.
Analistas apontam que o fenômeno vai além de ideologia: é cálculo frio de sobrevivência política. Deputados buscam siglas com maior visibilidade e estrutura para as urnas, apostando em um Congresso mais inclinado à direita nas próximas disputas. O fortalecimento conservador pode complicar a agenda do governo Lula, demandando mais negociações para aprovar projetos. Resta saber se essa tendência se mantém ou se o Centrão se reorganiza para contra-atacar.
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