Três décadas após o trágico acidente aéreo que vitimou os Mamonas Assassinas, os corpos dos integrantes foram exumados na segunda-feira (23/2) no Cemitério Primaveras, em Guarulhos (SP). O procedimento, autorizado em comum acordo pelos familiares, revelou um detalhe surpreendente: a jaqueta usada para enterrar o vocalista Alecsander Leite, o Dinho, estava intacta dentro do caixão.
“A jaqueta estava ali há 30 anos e parecia que tinha sido colocada ontem”, relatou Jorge Santana, primo de Dinho e CEO da marca Mamonas Assassinas, em entrevista à coluna Fábia Oliveira, do Metrópoles. Ele descreveu o momento como o mais impactante da cerimônia: “Foi algo inusitado. Por estar em bom estado e não junto aos restos mortais, pensamos em mantê-la exposta no memorial. Possivelmente vamos tratá-la, emoldurá-la e deixá-la à mostra. Foi complicado, difícil, mas passamos juntos”.
A exumação atende a um projeto simbólico anunciado no sábado (21/2) pelas redes sociais oficiais da banda e do cemitério. Parte das cinzas dos cinco músicos – Dinho, Bento Hinoto, Julio Ranganá, Samuel Reoli e Sérgio Costa – será usada para plantar cinco árvores nativas no BioParque do cemitério, criando o Jardim BioParque Memorial Mamonas Assassinas. A iniciativa alia homenagem póstuma, sustentabilidade e preservação ambiental, com mudas desenvolvidas por especialistas.
Em nota, o Cemitério Primaveras enfatizou: “Mais do que um memorial, o espaço será um patrimônio afetivo, onde o tempo não apaga as lembranças, apenas as transforma”. O grupo, formado em Guarulhos, explodiu nos anos 1990 com sucessos irreverentes como “Vira-Vira” e “Robozinho”. Sua história acabou em 15 de março de 1996, quando o jatinho que os levava de Brasília a São Paulo colidiu com a Serra da Cantareira, matando todos a bordo. A tragédia chocou o Brasil e eternizou os Mamonas como fenômeno cultural.
O memorial reforça a memória viva da banda, transformando luto em legado ecológico e afetivo.
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