Em um dia memorável, 14 de fevereiro de 2026, Lucas Pinheiro, de 25 anos, escreveu seu nome na história do esporte brasileiro. Nascido em Oslo, na Noruega, filho de mãe brasileira, o esquiador largou na frente no slalom gigante das Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina, em Bormio, Itália, e não cedeu a liderança. Sob neve persistente e temperatura de 3ºC, ele completou duas descidas quase perfeitas, somando 2min25s00 – 58 centésimos à frente do suíço Marco Odermatt, vice-campeão com 2min25s58. O terceiro lugar ficou com Loic Meillard, também suíço, em 2min26s17.
Esse ouro representa a primeira medalha do Brasil em Jogos de Inverno, superando o nono lugar de Isabel Clark no snowboard de Turim-2006, melhor resultado desde Albertville-1992. É também a primeira da América Latina e a terceira do Hemisfério Sul, após Austrália e Nova Zelândia. Pinheiro, que trocou a nacionalidade norueguesa em 2024 após Pequim-2022 sem pódio, elevou o esqui alpino brasileiro a um novo patamar em um país sem tradição em neve.
Na primeira descida, como pioneiro na pista intocada, Lucas marcou 1min13s92, 95 centésimos melhor que Odermatt. "Me senti conectado com o coração. O povo do Brasil assistindo. Tentei esquiar do jeito que sou", disse ele à TV Globo. Na segunda, como 30º a descer em ordem inversa, enfrentou neve "quebrada" e marcas de rivais, mas cravou 1min11s08. "Foi uma guerra. Encontrei equilíbrio", explicou.
Emocionado, Pinheiro se jogou na neve com lágrimas nos olhos. "Inexplicável. Quero inspirar crianças: não importa de onde você é, as roupas ou a cor da pele. O que importa é o que existe dentro. Levei a bandeira brasileira ao pódio. É do Brasil!", declarou ao repórter Guilherme Roseguini. O hino nacional ecoou ao som do "Tema da Vitória", eternizado por Ayrton Senna.
Giovanni Ongaro, 22 anos, nascido em Clusone, Itália, e também filho de brasileira, estreou em 31º, com 2min34s15. Ele melhora do 35º na primeira descida. Outros brasileiros seguem: Ongaro e Christian Oliveira no slalom masculino (16/02), e Alice Padilha no feminino (quarta).
A vitória impulsiona o Brasil no quadro de medalhas. Pinheiro, que aprende forró com a namorada atriz, volta ao slalom – prova mais técnica, com portas a 13m – mirando bicampeonato.
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