Os temporais que assolam Minas Gerais deixaram um rastro de destruição, com cerca de 40 mortos registrados até o momento. Dados orçamentários revelam uma redução alarmante nas verbas destinadas ao programa de combate aos danos causados pelas chuvas. Entre 2023 e 2025, o governo estadual cortou o orçamento de R$ 135 milhões para apenas R$ 6 milhões, o que representa uma diminuição de 96%. Essa decisão orçamentária agrava a situação em um estado historicamente vulnerável a eventos climáticos extremos, como enchentes e deslizamentos.
A falta de recursos para obras emergenciais força os municípios a redirecionar verbas de outras pastas. Prefeituras recorrem a cortes em áreas como saúde e educação para custear o atendimento hospitalar às vítimas e as ações imediatas de contenção dos danos. Especialistas em gestão pública alertam que essa prática compromete serviços essenciais a longo prazo, criando um ciclo vicioso de endividamento local e atrasos na recuperação. "Sem investimento preventivo, as chuvas viram tragédia recorrente", afirma um analista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), destacando que Minas Gerais registrou perdas bilionárias em edições anteriores de chuvas intensas.
Do outro lado, o governador Romeu Zema (Novo) contestou os números divulgados pelo Portal da Transparência. Em nota oficial, ele destacou investimentos alternativos, como R$ 200 milhões aplicados na construção de piscinões na Região Metropolitana de Belo Horizonte (Grande BH) e R$ 70 milhões em kits de Defesa Civil distribuídos aos municípios. "Os dados isolados não refletem o esforço real do governo em prevenção e resposta rápida", rebateu o governador, enfatizando parcerias com a União e ações pontuais que, segundo ele, mitigarariam os impactos. Críticos, porém, questionam a efetividade desses repasses, uma vez que os piscinões beneficiam principalmente a capital e não atendem integralmente o interior do estado.
A controvérsia ganha relevância em ano eleitoral, com opositores cobrando transparência e planejamento de longo prazo. Organizações não governamentais, como a Defesa Civil Voluntária, pressionam por auditorias independentes nos gastos. Enquanto isso, as chuvas persistem, e prefeitos de cidades afetadas, como em regiões do Sul de Minas e Vale do Aço, clamam por socorro federal urgente. O caso ilustra o dilema entre contenção de despesas públicas e proteção à vida, em um contexto de mudanças climáticas que intensificam os riscos.
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