Apucarana e cidades vizinhas amanheceram sob o peso de uma série alarmante de denúncias de violência doméstica registradas pela Polícia Militar nos dias 11 e 12 de janeiro de 2026. Em um intervalo de menos de 24 horas, sete mulheres – incluindo uma gestante – relataram agressões físicas brutais, violações de medidas protetivas e ameaças de morte por parceiros ou ex-companheiros, que fugiram antes da chegada das equipes policiais. As ocorrências, concentradas em Apucarana (quatro casos), Borrazópolis e Jandaia do Sul, expõem a fragilidade das relações íntimas na região e reforçam a urgência de aplicação da Lei Maria da Penha.
A primeira denúncia surgiu na manhã de 11 de janeiro, às 7h04, no Residencial Parque da Raposa III, em Apucarana. A vítima de 43 anos contou que seu convivente de 32 anos a agarrou pelos cabelos, arremessou contra a parede, destruiu seu celular e gritou: "Vou botar fogo na sua casa com você dentro". Ele fugiu, e buscas policiais foram infrutíferas; a mulher recebeu orientações para acionar a PM novamente se necessário.
Poucas horas depois, às 19h22, em Borrazópolis, mãe e filha acionaram a polícia por descumprimento de medida protetiva. O agressor se aproximou a 150 metros da casa – violando proibição de 200 metros –, xingou a filha de "biscate" e "vagabunda" e escapou em uma GM S10 prata. Patrulhas na área central não o encontraram; o boletim seguiu para a 53ª DRP de Faxinal.
O terceiro caso, ainda no dia 11, às 19h55, chocou pelo nível de violência no Loteamento Residencial Jacana, Apucarana. Uma gestante de 33 anos, em separação, foi invadida pelo ex de 46 anos, que a socou, chutou, derrubou e tentou estrangular, prometendo matá-la. O filho de 19 anos interveio aos gritos de socorro; o homem fugiu sem camisa, de bermuda verde e mochila preta. Ela foi aconselhada a buscar a Delegacia da Mulher.
Na mesma noite, às 21h09, no Distrito Pirapó, Apucarana, uma mulher de 29 anos descreveu um histórico de abusos pelo namorado da mesma idade, que a empurrou, socou na boca – lesão fotografada – e quebrou o vidro de seu carro. Coagida por medo de perder a guarda da filha, ela finalmente manifestou interesse em medidas protetivas após buscas sem resultado.
A madrugada de 12 de janeiro trouxe mais dois episódios em Jandaia do Sul. Às 0h04, no Centro, uma separada de 31 anos relatou invasão do ex de 30 anos, que a xingou e ameaçou de morte em estado alterado. Ele já havia sumido à chegada da PM. Mais tarde, às 3h04, outra vítima de 43 anos acordou com agressões do convivente, que feriu seu antebraço; ela correu para a casa da mãe e foi orientada a denunciar formalmente.
Por fim, às 0h44, no Distrito Vila Reis, Apucarana, uma mãe de 41 anos cortou a mão ao quebrar um copo durante briga com o filho em vias de fato. O SAMU a levou à UPA; ele não estava mais no local.
Essas histórias revelam um padrão preocupante de impunidade imediata, com agressores evadindo-se e vítimas recebendo orientações repetidas sobre direitos legais. Autoridades reforçam: denúncias rápidas salvam vidas, e medidas protetivas podem prevenir tragédias maiores.
Comentários: