Os brasileiros se preparam para celebrar a Páscoa de 2026 com um amargo sabor no bolso. Contrariando expectativas de alívio, os preços dos chocolates, especialmente os ovos de Páscoa, registraram alta de quase 25% no último ano, tornando esta a data mais cara dos últimos cinco anos. Quem aguardava a sequência animada de "um ovo, dois ovos, três ovos" terá que repensar o orçamento familiar.
O paradoxo é evidente: enquanto o preço do cacau no mercado internacional despencou nos últimos três meses, os valores nas prateleiras dos supermercados seguem elevados. Especialistas explicam que o planejamento da produção para a Páscoa deste ano começou em agosto de 2025, período em que o cacau enfrentava uma severa crise climática nos países africanos produtores, como Costa do Marfim e Gana. Naquele momento, as secas prolongadas e chuvas irregulares devastaram plantações, elevando os custos de aquisição da matéria-prima para as indústrias.
Com contratos firmados em meio à escassez, as empresas brasileiras travaram valores altos, que se refletem agora no varejo. "A cadeia de suprimentos é lenta e o planejamento anual não permite ajustes rápidos", aponta um analista do setor alimentício. Resultado: mesmo com a recente queda global do cacau — impulsionada por novas safras —, o consumidor final arca com os preços herdados da crise.
A produção, no entanto, não decepcionou em volume. A indústria nacional fabricou impressionantes 46 milhões de ovos de Páscoa, um milhão a mais do que em 2025. Esse crescimento de cerca de 2,2% demonstra otimismo do setor, mas não freia a inflação nos preços. Ovos de 300g, por exemplo, variam agora entre R$ 50 e R$ 100, dependendo da marca e do recheio, contra R$ 40 a R$ 65 no ano anterior.
Famílias de Faxinal, no Paraná, e em todo o país, buscam alternativas como ovos menores ou promoções. "Vamos optar por versões artesanais ou dividir as compras", conta uma consumidora local. Associações de defesa do consumidor alertam para a importância de comparar preços e evitar compras por impulso.
A situação expõe vulnerabilidades na dependência global do cacau — 70% da produção mundial vem da África — e reforça debates sobre diversificação de fornecedores e sustentabilidade climática. Para 2027, há otimismo com safras melhores, mas o alívio pode demorar.
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