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Quinta-feira, 16 de Abril de 2026
Polícia Federal mira Nelson Tanure em nova fase de operação contra irregularidades no Banco Master

Justiça

Polícia Federal mira Nelson Tanure em nova fase de operação contra irregularidades no Banco Master

Apreensão de celular do comprador da Copel Telecom reacende polêmica sobre privatização no Paraná

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A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (14) a segunda fase da Operação Compliance Zero, com foco em um esquema de irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master. Entre os alvos está o empresário Nelson Tanure, que adquiriu a Copel Telecom em 2020 por R$ 2,3 bilhões, com financiamento significativo dessa instituição bancária. Agentes federais apreenderam o celular de Tanure no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, momentos antes de ele embarcar para Curitiba, o que intensificou críticas à privatização da estatal paranaense e ao governo do governador Ratinho Júnior (PSD).

A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cumpre 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados — São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro —, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens no valor de mais de R$ 5,7 bilhões. É um desdobramento das investigações que prenderam Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, na primeira fase, em novembro do ano passado. Outros empresários do setor financeiro também são investigados.

A compra da Copel Telecom, uma empresa lucrativa e estratégica para infraestrutura de comunicações e dados no Paraná, foi realizada por um fundo controlado por Tanure. Após a transação, a companhia foi rebatizada como Ligga Telecom. A oposição ao governo Ratinho Júnior vê no caso a confirmação de alertas feitos desde 2020 sobre a falta de rigor na análise da origem dos recursos e do perfil dos compradores.

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O deputado Arilson Chiorato (PT), líder do bloco oposicionista na Assembleia Legislativa do Paraná, declarou: “Isso tudo que está aparecendo agora não caiu do céu. Não foi por falta de aviso sobre essas relações indecentes do Banco Master com o governo Ratinho Júnior. A gente falou, alertou”. Ele destacou que a apreensão do celular de Tanure sinaliza avanços nas apurações, mas ainda há muito a esclarecer.

Na mesma linha, o deputado federal Tadeu Veneri (PT-PR) questionou o destino da viagem de Tanure a Curitiba no dia da operação. “Estamos falando de uma empresa estratégica, vendida com recursos de um banco hoje investigado por fraudes. Isso coloca sob suspeita não apenas o comprador, mas todo o modelo adotado pelo governo”, criticou.

O episódio reforça o debate sobre as privatizações no Paraná, acusadas pela oposição de transferir ativos públicos essenciais para mãos privadas sem transparência ou garantias de interesse público. Movimentos sociais e parlamentares defendem maior controle estatal sobre setores como telecomunicações, questionando soberania e o destino do patrimônio público.

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