A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (14) a segunda fase da Operação Compliance Zero, com foco em um esquema de irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master. Entre os alvos está o empresário Nelson Tanure, que adquiriu a Copel Telecom em 2020 por R$ 2,3 bilhões, com financiamento significativo dessa instituição bancária. Agentes federais apreenderam o celular de Tanure no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, momentos antes de ele embarcar para Curitiba, o que intensificou críticas à privatização da estatal paranaense e ao governo do governador Ratinho Júnior (PSD).
A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cumpre 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados — São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro —, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens no valor de mais de R$ 5,7 bilhões. É um desdobramento das investigações que prenderam Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, na primeira fase, em novembro do ano passado. Outros empresários do setor financeiro também são investigados.
A compra da Copel Telecom, uma empresa lucrativa e estratégica para infraestrutura de comunicações e dados no Paraná, foi realizada por um fundo controlado por Tanure. Após a transação, a companhia foi rebatizada como Ligga Telecom. A oposição ao governo Ratinho Júnior vê no caso a confirmação de alertas feitos desde 2020 sobre a falta de rigor na análise da origem dos recursos e do perfil dos compradores.
O deputado Arilson Chiorato (PT), líder do bloco oposicionista na Assembleia Legislativa do Paraná, declarou: “Isso tudo que está aparecendo agora não caiu do céu. Não foi por falta de aviso sobre essas relações indecentes do Banco Master com o governo Ratinho Júnior. A gente falou, alertou”. Ele destacou que a apreensão do celular de Tanure sinaliza avanços nas apurações, mas ainda há muito a esclarecer.
Na mesma linha, o deputado federal Tadeu Veneri (PT-PR) questionou o destino da viagem de Tanure a Curitiba no dia da operação. “Estamos falando de uma empresa estratégica, vendida com recursos de um banco hoje investigado por fraudes. Isso coloca sob suspeita não apenas o comprador, mas todo o modelo adotado pelo governo”, criticou.
O episódio reforça o debate sobre as privatizações no Paraná, acusadas pela oposição de transferir ativos públicos essenciais para mãos privadas sem transparência ou garantias de interesse público. Movimentos sociais e parlamentares defendem maior controle estatal sobre setores como telecomunicações, questionando soberania e o destino do patrimônio público.
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