Tribuna Digital

Sexta-feira, 10 de Abril de 2026
Polícia israelense impede Cardeal de celebrar Domingo de Ramos no Santo Sepulcro pela primeira vez em séculos

Mundo

Polícia israelense impede Cardeal de celebrar Domingo de Ramos no Santo Sepulcro pela primeira vez em séculos

Restrições por segurança na guerra com o Irã afetam cristãos, muçulmanos e judeus em Jerusalém, gerando críticas internacionais

IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Em um episódio inédito, a polícia israelense barrou o cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, e o frei Francesco Ielpo de entrar na Igreja do Santo Sepulcro neste Domingo de Ramos. O local, erguido onde os cristãos creem que Jesus foi crucificado e ressuscitou, ficou sem a tradicional missa pela primeira vez em séculos, segundo o Patriarcado Latino. A medida foi justificada por preocupações de segurança ligadas à guerra entre Israel, EUA e Irã.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu defendeu a ação em comunicado, negando intenções maliciosas e destacando riscos à vida dos religiosos. "Não houve qualquer intenção maliciosa, apenas preocupação com a segurança dele e de seu partido", disse. Ele prometeu preparativos para cultos nos próximos dias. A polícia explicou que todos os locais sagrados da Cidade Velha – incluindo para cristãos, muçulmanos e judeus – estão fechados desde o início do conflito, especialmente os sem abrigos antibombas. "A Cidade Velha é uma área complexa, sem acesso para grandes veículos de emergência, o que representa risco real em caso de incidentes", afirmou.

O Domingo de Ramos inicia a Semana Santa, ápice do calendário cristão antes da Páscoa. Normalmente, a Cidade Velha ferve com fiéis católicos romanos cruzando as portas imponentes do Santo Sepulcro. Este ano, porém, restrições policiais impediram celebrações plenas da Páscoa cristã, do Ramadã muçulmano e do Pessach judaico, que começa na quarta-feira. A Mesquita de Al-Aqsa ficou quase vazia no Ramadã, e o Muro das Lamentações recebeu poucos visitantes.

Publicidade

Leia Também:

A decisão gerou repercussão internacional. A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni chamou a barreira de "ofensa à liberdade religiosa". O chanceler Antonio Tajani convocará o embaixador israelense. O presidente francês Emmanuel Macron condenou o ato como mais uma violação ao estatuto dos Lugares Santos. O embaixador americano Mike Huckabee achou a medida "difícil de entender ou justificar". O Vaticano não se pronunciou.

Moradores e líderes religiosos apontam inconsistências nas restrições. Pregadores muçulmanos do Waqf acessaram Al-Aqsa no Ramadã e Eid al-Fitr, e funcionários limparam inscrições no Muro das Lamentações para o Pessach. Neste domingo, frades franciscanos e fiéis entraram em outro santuário próximo ao Santo Sepulcro, como mostra foto da Reuters com cerca de uma dúzia de pessoas orando com ramos de palmeira. Farid Jubran, porta-voz do Patriarcado, criticou: a missa seria privada e a portas fechadas, mas a polícia insistiu na proibição apesar da comunicação prévia.

O incidente reflete tensões na Cidade Velha, onde segurança bélica colide com tradições milenares.

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Wikimedia Commons
Comentários:
Tribuna Digital

Publicado por:

Tribuna Digital

O site Tribuna Digital foi criado em novembro de 2015 com o intuito de levar informação de qualidade e com credibilidade para o leitor.

Saiba Mais
Tribuna Digital
Tribuna Digital
Academia Sport Life
Academia Sport Life

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!

Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )