Os servidores da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) aprovaram, em assembleia realizada pelo Sindicato dos Servidores da Defesa Agropecuária do Paraná (Sindadapar), o indicativo de greve na segunda-feira, 6 de abril de 2026. O protocolo oficial da decisão foi formalizado nesta terça-feira, 7 de abril, em meio a uma crise que ameaça os serviços essenciais de fiscalização agropecuária no estado.
A mobilização surge após meses de negociações frustradas com o governo estadual. Os trabalhadores reivindicam a reestruturação da carreira, incluindo melhores condições salariais e profissionais. De acordo com nota divulgada pela categoria, eles aguardam uma proposta concreta do Executivo. Sem avanços até sexta-feira, 10 de abril, a paralisação pode ser deflagrada, paralisando atividades críticas como inspeções sanitárias de animais e vegetais, controle de pragas e certificações para exportação.
O estopim da insatisfação foi a decisão do governo de não encaminhar à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) o projeto de lei (PL) de reestruturação da carreira, discutido nos últimos meses. Uma nota interna da Adapar, enviada aos servidores, confirma que a negativa ocorreu em 31 de março de 2026, com o encaminhamento adiado apenas para depois de 4 de outubro do mesmo ano. Essa postergação, segundo o Jornal Gazeta do Povo, aprofundou a crise e motivou a assembleia.
A Adapar exerce papel estratégico na economia paranaense, dominada pelo agronegócio, que responde por grande parte do PIB estadual. A agência fiscaliza a sanidade de produtos agropecuários, combate doenças como a aftosa e a ferrugem asiática da soja, e emite certificados para o comércio interno e externo. Uma greve poderia gerar prejuízos ao setor produtivo, com atrasos em abates, embarques e inspeções, afetando desde pequenos produtores rurais até gigantes do agro.
Os servidores apelam por apoio da sociedade e do setor produtivo, argumentando que a valorização profissional é essencial para reter talentos e manter a excelência dos serviços. "Sem servidores motivados, o Paraná perde em segurança alimentar e competitividade", destaca a nota sindical.
Até o momento, não há posicionamento oficial do governo sobre uma contraproposta. A expectativa é de que negociações intensas nos próximos dias evitem a paralisação total, preservando a fluidez das operações agropecuárias no estado.
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