O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por 8 votos a 2, nesta quinta-feira (26), derrubar a prorrogação da CPMI do INSS, determinada pelo ministro André Mendonça. A votação contrariou a decisão monocrática de Mendonça, que na segunda-feira (23) havia ordenado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a leitura em até 48 horas de um pedido de extensão do prazo da comissão, o que não ocorreu. Parlamentares da CPMI solicitavam a prorrogação desde dezembro, impactados pelo recesso de fim de ano.
Horas antes da decisão do STF, o presidente da CPMI, Carlos Viana, tentou prorrogar os trabalhos por conta própria, sem formalização no Congresso. A comissão, com prazo original de 180 dias já esgotado, investigava graves desvios de verbas de aposentadorias do INSS. Recentemente, revelações sobre conexões de figuras como Vorcaro e o Master com o esquema ganharam destaque, elevando a tensão em Brasília.
A continuidade da CPMI era vista como uma "caixa de Pandora" por grupos do Centrão, governo e até ministros do STF, devido ao risco de expor nomes dos Três Poderes. Episódios polêmicos incluíram supostas mensagens de Vorcaro envolvendo os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além de sua esposa, e possíveis ligações de Lulinha, filho do presidente Lula, com investigados.
Durante a votação, críticas aos parlamentares da CPMI marcaram o debate. Gilmar Mendes chamou de "abomináveis" os vazamentos de informações sigilosas, enquanto Alexandre de Moraes os classificou como "criminoso". Com a decisão, a CPMI deve ser encerrada até esta sexta-feira (27), freando uma das investigações mais sensíveis da capital federal.
O relatório final, com cerca de 5 mil páginas, recomenda ao Ministério Público o indiciamento de aproximadamente 220 pessoas. Caso o MP aceite as provas e apresente denúncia à Justiça, elas poderão se tornar réus. A votação detalhada de cada ministro pode ser consultada em fontes oficiais.
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