Em decisão polêmica tomada na véspera de Natal, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para suspender uma acareação no caso do Banco Master. A audiência, marcada para a próxima terça-feira, 30 de dezembro — pré-Réveillon —, colocará frente a frente figuras-chave do processo: um diretor do Banco Central (BC), o presidente do Master, Daniel Vorcaro, e um membro do Banco de Brasília (BRB).
A acareação é um instrumento processual previsto no Código de Processo Penal, em que o juiz confronta depoimentos conflitantes de acusados, testemunhas ou vítimas para esclarecer divergências sobre fatos essenciais. No caso, Toffoli parece mirar a atuação do Banco Central na supervisão do Master, banco liquidado em 2023 por irregularidades financeiras graves, como fraudes e gestão temerária. A PGR argumentou pela suspensão, mas o ministro manteve o cronograma, gerando críticas por ocorrer em período festivo.
O caso Banco Master ganhou contornos explosivos. O banco, controlado por Vorcaro, foi liquidado pelo BC após denúncias de lavagem de dinheiro e empréstimos irregulares. Toffoli, relator de ações que questionam a liquidação, já demonstrou inclinação para rever o processo. Uma coluna recente do Estadão alerta para um risco "concreto, crescente e atual" de o ministro anular a liquidação — um verdadeiro "ctrl+z" na extinção do banco —, o que poderia reabrir portas para investigações e responsabilizações.
Críticos veem na manobra de Toffoli uma interferência indevida no BC, órgão técnico de regulação financeira. Defensores argumentam que o STF deve zelar pela legalidade. A acareação pode definir rumos: se divergências forem esclarecidas a favor do Master, abre caminho para anulação; caso contrário, reforça a liquidação. O episódio reacende debates sobre ativismo judicial em temas econômicos sensíveis.

Comentários: