• Édi Willian Moreira dos Santos

Delator revela mais dados sobre corrupção na receita estadual do PR



O auditor fiscal Luiz Antônio de Souza nunca imaginou que se tornaria o principal personagem do maior escândalo de corrupção na Receita Estadual do Paraná quando deixou os campos de algodão no Vale do Ivaí.

Após contar detalhes de como o esquema de cobrança e recebimento de propina funcionava, a defesa do principal delator do maior escândalo de corrupção no órgão, revelado pela Operação Publicano, afirma que ele vai precisar de proteção assim que deixar a cadeia, pois corre risco de vida.

Rico e bem relacionado, o auditor de 49 anos nunca imaginou se tornar alvo de investigações.

Algemas, superexposição pareciam coisas distantes para o menino pobre criado em meio a plantações de algodão no Vale do Ivaí. Em 1984, com 18 anos, Luiz Antônio foi aprovado em três concursos públicos, escolheu a Receita Estadual. No começo da carreira foi escalado para pequenos serviços, como fiscalização no comércio e em postos da Receita nas estradas.

Era o início da carreira tortuosa que renderia ao auditor prestígio e fortuna. Ele comprou fazenda, mansão, carros de luxo, tudo com dinheiro de propina, conforme o Ministério Público do Paraná. A promotoria avalia que a fortuna do auditor chegue a R$ 40 milhões. No começo de 2015, ele era investigado quando foi preso por exploração sexual. Estava em um motel com uma menor de 15 anos.

Luiz Antônio se tornou o principal delator, tanto do esquema de exploração sexual como o da corrupção na Receita. Nesse esquema, ele contou aos promotores que políticos indicavam apadrinhados para os cargos mais importantes na Receita Estadual. Também contou como era feita a arrecadação de propina e de que forma o dinheiro sujo era dividido entre os integrantes do bando. Dez por cento global da propina era enviada para Curitiba, para a alta cúpula da Receita Estadual. O restante era dividido entre o fiscal, que efetivamente autuou, inspetoria e delegacia. Assim que funcionou o esquema no tempo que Luiz Antônio foi inspetor em Londrina.

Luiz Antônio também confirmou que Luiz Abi Antoun, parente do governador Beto Richa (PSDB), tinha influência na Receita Estadual. De acordo com o auditor, foi Abi que nomeou Márcio de Albuquerque Lima para o cargo de inspetor-geral da Receita Estadual, em Curitiba. Lima é considerado o chefe do esquema de corrupção pelo Ministério Público (MP-PR).

No trecho mais contundente do depoimento, o auditor afirmou que o dinheiro de propina cobrado de empresários abasteceu a campanha de reeleição do governador Beto Richa (PSDB).

O PSDB nega ter recebido dinheiro de propina e diz que a prestação de contas do partido foi aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR). A delação premiada de Luiz Antônio somou cerca de 200 horas de gravações e encheu mais de 400 páginas.

Fonte: G1


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