• Édi Willian Moreira dos Santos

Falece em Rolândia o pioneiro do plantio direto, Herbert Bartz


Faleceu nesta madrugada, em Rolândia, o produtor Herbert Bartz, aos 83 anos, irmão de Ulrich Bartz (in memorian), que passou boa parte da vida em Faxinal.


Bartz foi um dos pioneiros da introdução do Sistema de Plantio Direto na Palha. Segundo informações repassadas por sua filha, a pesquisadora Marie Bartz, Herbert faleceu por falência múltipla dos órgãos, em decorrência de uma pneumonia. Ele deixa a esposa Luíza, a filha Marie e o filho Johann Bartz.

Herbert Bartz foi o primeiro a apostar na técnica do Plantio Direto quando, há 47 anos, quando plantou pela primeira vez sobre a palhada, esse sistema revolucionou a agricultura brasileira e mundial. A história de Bartz é inspiradora, continua atual e mostra um norte para o futuro do agronegócio brasileiro. A saga desse agricultor já foi contada e registrada em livro, como uma biografia que retrata não somente a trajetória de um pioneiro, mas um relevante capítulo da história da nossa produção agrícola.

A Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha e Irrigação, comunicou com pesar o falecimento de Herbert Arnold Bartz, pioneiro do Sistema Plantio Direto na América Latina e um dos fundadores da entidade.

Bartz estava internado na Santa Casa de Arapongas, onde ele morava. Faleceu em consequência de complicações de uma pneumonia que o acometeu e veio a falecer durante esta madrugada do dia 29 de janeiro de 2021 às vésperas de completar 84 anos.

Nascido em Rio do Sul (SC), em 14 de fevereiro de 1937, filho de imigrantes germânicos, ele passou boa parte da infância e da juventude na Alemanha, em meio à Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945). Enfrentou a fome e sobreviveu ao terrível bombardeio da cidade de Dresden, onde estava em fevereiro de 1945.

Quando voltou para o Brasil, em 1960, estabeleceu-se em Rolândia, na Fazenda Rhenânia, ao lado do pai, Arnold e dos irmãos.

Aborreceu-se com todas as dificuldades que a vida de homem do campo impunha. As doenças dos animais, os fracassos das lavouras. O clima indomável, as chuvas torrenciais. A erosão. A terra e a fertilidade indo para os rios. Deu o basta em 1971, depois de uma tempestade, quando assistiu, de guarda-chuva em uma mão e lanterna na outra, o solo arado e gradeado se desfazendo. Viajou atrás de soluções e voltou dizendo que o certo era plantar sem arar e gradear. Fazer plantio direto ou, como diziam nos Estados Unidos, “No-Tillage” ou “No-Till”.

Herbert Bartz sabia valorizar os alimentos depois de todas as agruras que passara na infância.

Em 1972, com uma plantadeira Allis-Chalmers que ele mesmo importou, fez o primeiro plantio em larga escala sem revolver o solo da América Latina. Os vizinhos começaram a dizer que ele havia enlouquecido.

O fato era tão inédito que a Polícia Federal apreendeu toda a produção de soja resultante daquela iniciativa. Mas Herbert Bartz não era de esmorecer. Pelo contrário. Passou a difundir o Sistema Plantio Direto para quem quisesse aprender, de graça, sem cobrar nada de ninguém.

Nos agricultores Franke Dijkstra e Manoel Henrique Pereira, o Nonô, encontrou os companheiros perfeitos para uma grande jornada educacional pelo interior do Paraná e de outros estados do Brasil. Pelo exemplo, convenceram muitos outros, ainda na década de 1970, quando surgiram os “Clubes da Minhoca.”

Bartz proferiu inúmeras palestras no Brasil e em países vizinhos, sempre acompanhado de seu projetor de slides, mostrando com imagens os benefícios de conservar o solo.

Em certa ocasião, diante da incredulidade de debatedores, que insistiam o Sistema Plantio Direto não permitia a descompactação do solo e enfatizavam que era preciso sim usar arados e grades, saiu-se com esta: “Eu sei resolver o problema da compactação quando ela atinge o solo, mas não sei o que fazer quando atinge o cérebro humano.”

Assim seguiu, encontrando na ciência e na academia grandes aliados quando estudos consistentes começaram a ser feitos e publicados. Mesmo sem ter formação em curso superior, deu inúmeras aulas em cursos de Agronomia, sobretudo na Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde o filho dele, Johann estudou e se formou, tornando-se engenheiro agrônomo e agricultor.

A filha Marie também estudou na mesma instituição, formando-se em Biologia e tornando-se uma das mais destacadas pesquisadoras do mundo em minhocas. Herdou do pai o amor pelo solo.

Casado com dona Luiza, em 1989, Bartz havia perdido o mais velho dos filhos, Wieland, que morreu aos 12 anos. O intenso trabalho nas lavouras foi o remédio para vencer aquela dor.

Em 1992, depois de espalharem pelo País inúmeros “Clubes Amigos da Terra”, os sucessores dos “Clubes da Minhoca”, Bartz, Dijkstra e Pereira fundaram esta Federação.

Desde então o Sistema Plantio Direto só fez crescer. E o Brasil se tornou uma potência em produção de alimentos para o mundo. Não é segredo que o agronegócio tem sido o grande motor de desenvolvimento do nosso País e o maior contribuinte do Produto Interno Bruto (PIB).

Isso se deve ao intenso trabalho de cada homem e mulher que se dedica a produzir alimentos e que ama o nosso solo, seguindo o exemplo deste grande pioneiro, Herbert Bartz.

Em 2018, com idealização de Johann e Marie, foi escrito, pelo jornalista Wilhan Santin, o livro “O Brasil Possível: a biografia de Herbert Bartz”, que conta toda a saga desse agricultor. Na obra, ele eternizou a frase “a natureza não aceita propinas.”

Velório está marcado para sábado (30) das 7h as 11h no espaço Bom Pastor, em Rolândia PR aos cuidados da Funerária Bom Pastor.

Os votos de condolências poderão ser enviados ao site da Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação www.febrapdp.org.br

Obrigado, Herbert Bartz. Seguiremos seguindo o seu exemplo e honrando o seu legado. Notícias Agrícolas

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