• Édi Willian Moreira dos Santos

Longevos e sozinhos, muitos idosos sofrem com falta de cuidados



Os brasileiros que nasceram em 2015 viverão, em média, 75,5 anos, estima o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De 1940 a 2015, essa expectativa aumentou 30 anos. Nos lares brasileiros, tal mudança já é percebida, com a convivência entre diferentes gerações. Outras mudanças, como a maior participação feminina no mercado de trabalho e a prevalência de famílias menores, saltam à vista e trazem novas questões. Afinal, como os idosos podem ser cuidados nesse contexto?

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do IBGE, a demanda por cuidado não tem sido respondida adequadamente. A pequisa mostra que, do grupo de pessoas, com 60 anos ou mais, com alguma limitação funcional, 84% precisavam de ajuda para atividades básicas, como tomar banho, ir ao banheiro, vestir-se ou andar, mas 10,9% não recebiam apoio. O percentual pode aumentar. Isto porque 78,8% dos que precisam recebem cuidados de familiares, com ou sem remuneração, uma situação que tende a ser menos comum devido àquelas mudanças sociais.

Idosos mais independentes

Além do que poderá ser fixado por lei e desenvolvido por políticas públicas, outras ações podem ser tomadas desde já. Para tanto, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo, Carlos André Uehara, explica que é preciso considerar pelo menos dois grupos de idosos: os com mais de 80 anos e os mais jovens, na faixa dos 60.

No primeiro caso, os idosos são muito associadas à fragilidade física. “Quando eles nasceram, a expectativa de vida não passava de 50 anos, não havia o conhecimento que se tem hoje do que fazer para ter qualidade de vida. Muitos adquiriram longevidade por suas próprias características biológicas e também porque as condições de vida de antes eram melhores que as de hoje da vida moderna”, diz Uehara, exemplificando que atividades físicas eram mais presentes no dia a dia.

Apesar da fragilidade, Uehara afirma que é preciso estimular a autonomia. A hiperproteção de famílias que temem que os idosos caiam, por exemplo, pode ser negativa, pois fará com que os mais velhos deixem de desenvolver atividades, o que os compromete física e psicologicamente.

O outro grupo é formado por idosos mais jovens. Com cerca de 60 anos, eles envelheceram tendo acesso a mais informações sobre cuidados com a saúde, adquiriram uma sobrevida maior e, por isso, demandam mais qualidade de vida. Esses idosos deverão ser menos dependentes, mas isso não quer dizer que também não demandem atenção. Carlos André Uehara destaca que a sociedade precisa ser preparada para lidar com eles e entender suas diferenças, a fim de que barreiras cotidianos, como acessar serviços bancários digitais, sejam rompidas.

“É preciso olhar essa população mais velha como uma população que passou por toda essa mudança tecnológica, e muitos acabaram não tendo acesso a ela. Por isso acabam tendo dificuldade grande de adquirir esses novos conhecimentos. Nós preconizamos que eles busquem coisas novas, mas ainda há aquela visão de que o idoso já está no canto, sem poder aprender coisas novas”, pondera.

Atitudes simples podem ajudar a resolver esse impasse, como oferecer equipes que deem suporte aos idosos e compreendam que os idosos podem ter dificuldades de visão e de comunicação e que, por isso, precisam de mais tempo para desenvolver determinadas atividades.

Fonte: Agência Brasil


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