• Édi Willian Moreira dos Santos

Macri vence e põe fim a 12 anos dos Kischner no poder



Na argentina o candidato de oposição ao governo, Mauricio Macri, venceu a eleição neste domingo com quase 13 milões de votos, a maior quantidade registrada desde 1983. O opositor inclusive superou os 11,8 milhões de votos de Cristina Kirchner no pleito de 2011, em mais uma derrota ao peronismo que viu o fim de uma hegemonia de 12 anos no poder. Prometendo uma virada para recuperar a economia, Macri obteve 51,4 % de votos, ante 48,6 % do candidato do partido governista Daniel Scioli. Mas a pequena margem na vitória obrigará o novo presidente a trabalhar com o Congresso de maioria opositora.

Grande parte do Legislativo apoia a atual presidente Cristina Kirchner e Macri será obrigado a estabelecer alianças pelo menos até 2017, quando acontecerão eleições parlamentares. A seu favor, o presidente eleito conta com a província de Buenos Aires, a de maior população, assim como três das cinco maiores províncias do país, que serão governadas por sua aliança ‘Cambiemos’.

Diante desse cenário, em seu discurso, ele agradeceu aos líderes aliados e pediu aos que não votaram nele que se somem. O novo chefe de Estado também ressaltou que a mudança escolhida pelo povo “tem que nos levar ao futuro” e disse que a decisão não pode se deter em revanches e ajustes de contas.

— Quer lhes dar tudo o que falta — disse Macri à multidão. — Quanta emoção! Obrigado, obrigado, obrigado!

Horas depois da viória de Macri ser cravada, o chefe de gabinete da presidente Cristina Kirchner disse nesta segunda-feira que o resultado representa um empate político e assegurou que o kirchnerismo vai se preparar para voltar a governar.

— Saímos empatados, temos que reconhecer, mas não é uma diferença que mostra que estávamos equivocados — disse Aníbal Fernández na sede do governo. — Foi uma diferença mínima de 700 mil votos e em um segundo turno quem recebem um voto a mais é quem governa.

O chefe de Gabinete, no entanto, rejeitou a necessidade de uma autocrítica dentro do peronismo.

— A autocrítica você têm que fazer, não nós — disse aos jornalistas.

NOVO CICLO POLÍTICO

No dia 10 de dezembro, quando a presidente Cristina Kirchner entregar o poder, o país iniciará uma etapa inédita com um novo espaço político da direita. Em quase um século, a Argentina não teve nenhum presidente eleito em votação livre e sem fraude que não fosse peronista ou ‘radical’ (social-democratas). Em sua vida democrática, o país apenas teve no poder a alternância entre o Partido Justicialista (PJ, peronista) e a UCR.

Macri, um engenheiro de 56 anos, que foi presidente do clube de futebol Boca Juniors, foi eleito para um mandato de quatro anos e na primeira metade do período será obrigado a estabelecer alianças no Congresso, onde o kirchnerismo tem maioria absoluta no Senado e é a primeira força na Câmara dos Deputados.

Como candidato, prometeu liberar o mercado de câmbios, estimular a iniciativa privada, reordenar o Estado, retomar vínculos abalados com as grandes potências desenvolvidas e resolver a questão da dívida em litígio judicial com fundos especulativos em Nova York.

Também antecipou que pedirá a aplicação da cláusula democrática e a suspensão da Venezuela do Mercosul por ter presos políticos, em sua opinião. Macri citou a detenção do político Leopoldo López, cuja esposa, Lilian Tintori, celebrou a vitória do opositor argentino. Fonte: O Globo


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