• Édi Willian Moreira dos Santos

Papa Francisco envia mensagem ao Brasil no início da Campanha da Fraternidade


O Papa Francisco divulgou uma mensagem para os brasileiros nesta quarta-feira (6), quando começa a Campanha da Fraternidade 2019, com um apelo para que os católicos busquem uma atuação “mais ativa na sociedade” com o objetivo de “construir uma cultura fraterna baseada no direito e na justiça”.


Durante o período da Quaresma, que antecede a Páscoa, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) convida os católicos a refletirem sobre um aspecto relevante para a realidade nacional. Neste ano, o tema escolhido foi “Fraternidade e políticas públicas”.


O pontífice fez um apelo para que os cristãos, inspirados pelo lema da campanha “Serás libertado pelo direito e pela justiça”, busquem “uma participação mais ativa na sociedade como forma concreta de amor ao próximo, que permita a construção de uma cultura fraterna baseada no direito e na justiça”.


Citando o Documento de Aparecida, o papa lembra que os católicos são chamados a atuar como “um fermento na massa para construir uma cidade temporal que esteja de acordo com o projeto de Deus.


Aos que se dedicam formalmente à política, Francisco lembrou que a igreja orienta que políticos vivam “com paixão o seu serviço aos povos”, que sejam “solidários com os seus sofrimentos e esperanças” e que “anteponham o bem comum aos seus interesses privados”.Ele também lembra que eles não devem se deixar “intimidar pelos grandes poderes financeiros e mediáticos” e devem estar “abertos a ouvir e a aprender no diálogo democrático, conjugando a busca da justiça com a misericórdia e a reconciliação”.


Confira a mensagem de Papa na integra: 

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Com o início da Quaresma, somos convidados a preparar-nos, através das práticas penitenciais do jejum, da esmola e da oração, para a celebração da vitória do Senhor Jesus sobre o pecado e a morte. Para inspirar, iluminar e integrar tais práticas como componentes de um caminho pessoal e comunitário em direção à Páscoa de Cristo, a Campanha da Fraternidade propõe aos cristãos brasileiros o horizonte das “políticas públicas”.


Muito embora aquilo que se entende por política pública seja primordialmente uma responsabilidade do Estado cuja finalidade é garantir o bem comum dos cidadãos, todas as pessoas e instituições devem se sentir protagonistas das iniciativas e ações que promovam "o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição" (Gaudium et spes, 74).


Cientes disso, os cristãos - inspirados pelo lema desta Campanha da Fraternidade "Serás libertado pelo direito e pela justiça" (Is1,27) e seguindo o exemplo do divino Mestre que “não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20,28) - devem buscar uma participação mais ativa na sociedade como forma concreta de amor ao próximo, que permita a construção de uma cultura fraterna baseada no direito e na justiça. De fato, como lembra o Documento de Aparecida, "são os leigos de nosso continente, conscientes de sua chamada à santidade em virtude de sua vocação batismal, os que têm de atuar à maneira de um fermento na massa para construir uma cidade temporal que esteja de acordo com o projeto de Deus" (n. 505).


De modo especial, àqueles que se dedicam formalmente à política - à que os Pontífices, a partir de Pio XII, se referiram como uma "nobre forma de caridade" (cf. Papa Francisco, Mensagem ao Congresso organizado pela CAL-CELAM, 1/XII/2017) – requer-se que vivam "com paixão o seu serviço aos povos, vibrando com as fibras íntimas do seu etos e da sua cultura, solidários com os seus sofrimentos e esperanças; políticos que anteponham o bem comum aos seus interesses privados, que não se deixando intimidar pelos grandes poderes financeiros e mediáticos, sendo competentes e pacientes face a problemas complexos, sendo abertos a ouvir e a aprender no diálogo democrático, conjugando a busca da justiça com a misericórdia e a reconciliação" (ibid.).


Refletindo e rezando as políticas públicas com a graça do Espírito Santo, faço votos, queridos irmãos e irmãs, que o caminho quaresmal deste ano, à luz das propostas da Campanha da Fraternidade, ajude todos os cristãos a terem os olhos e o coração abertos para que possam ver nos irmãos mais necessitados a “carne de Cristo” que espera "ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós" Bula Misericordiae vultus, 15).


Assim a força renovadora e transformadora da Ressurreição poderá alcançar a todos fazendo do Brasil uma nação mais fraterna e justa. E para lhes confirmar nesses propósitos, confiados na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, de coração envio a todos e cada um a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.


Vaticano, 11 de fevereiro de 2019.

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