• Édi Willian Moreira dos Santos

Polícia Civil prende organização criminosa formada por integrantes do MST



Oito suspeitos de integrar uma organização criminosa foram presos durante a “Operação Castra”, deflagrada nesta sexta-feira (4) no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. As pessoas detidas pela Polícia Civil paranaense integram o Movimento Sem Terra (MST) e são investigadas por diversos crimes, como organização criminosa suspeita de furto e dano qualificado, roubo, invasão de propriedade, incêndio criminoso, cárcere privado, lesão corporal, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e permitido e constrangimento ilegal. Com um dos presos, a polícia apreendeu um fuzil, uma pistola calibre 9mm, colete balístico, dois rádios comunicador e mais de 50 munições compatíveis. No cumprimento dos dez mandados de busca foram apreendidos ainda celulares, guias de trânsito de animal (suspeitas de falsificação, o que será apurado pela polícia) e equipamentos de uma rádio clandestina que funcionava na cidade de Quedas do Iguaçu, região Oeste do Paraná. Além deste município, a ação policial aconteceu em Laranjeiras do Sul e Francisco Beltrão. Entre os presos está um homem recém eleito vereador de Quedas do Iguaçu. Sete pessoas, todas do MST, estão foragidas da Justiça. Entre eles, um dirigente nacional do movimento, com forte liderança no Paraná, e outro considerado um dos líderes do MST no Paraná. Durante a investigação, a Polícia Civil se deparou com uma situação de incêndio criminoso num viveiro de mudas. A delegada Anna Karyne lembra ainda do episódio da invasão da Fazenda Dona Hilda, em Quedas do Iguaçu, quando empregados da propriedade disseram, em depoimento à polícia, terem sido mantidos em cárcere privado por horas e sob a mira de armas de fogo de grosso calibre. O dono da terra relatou que, após a invasão, cerca de 1.300 cabeças de gado sumiram. Ainda segundo o fazendeiro, a invasão gerou um prejuízo estimado em R$ 5 milhões no total de danos à propriedade. Em abril, houve um confronto entre policiais militares e integrantes do MST, que resultou na morte de dois sem-terra. O movimento acusou a PM de fazer uma emboscada, o que foi descartado após investigação da Polícia Civil e da Polícia Federal. “Durante a nossa investigação, ficou comprovado que integrantes do MST andavam armados e que a PM não fez nenhuma emboscada. O que se percebeu é um grupo extremamente organizado, mas que realizavam diversos crimes”, disse Chohfi. A ação do MST atingia até mesmo os próprios assentados. Havia, conforme depoimentos colhidos pela polícia, a exigência de pagamentos referente à água, luz e acampamento, no valor de R$ 23. A água, entretanto, seria proveniente de um poço artesiano e a conta referente a energia não seria paga à Copel. Documentos dos integrantes também seriam recolhidos, inclusive a cobrança de uma taxa no caso de necessidade de algum assentado ter se se ausentar do assentamento por um tempo superior a dez dias, que é o estabelecido por eles. No caso do descumprimento de alguma regra, punições eram impostas. “Nos deparamos com um Estado paralelo, onde o próprio MST mantinha suas regras. Lá, os integrantes do movimento são julgados e condenados, tendo que passar por 'castigos' impostos pela liderança”, relatou Mesquita. A investigação aponta que os assentados eram proibidos de trabalhar com carteira assinada e quando tinham que deixar o local, eram obrigados a pagar uma taxa. Na decisão judicial que decretou a prisão preventiva, a juíza de Quedas do Iguaçu, Paula Chedid Magalhães, relata como o MST agia. “O grupo apontado usa da força para sub julgar os demais integrantes do Movimento Sem Terra, os quais se não cumprirem com as regras impostas são expulsos do local e, de consequência, do sonho de conquistarem a terra”, na sua decisão. Em outro relato, um assentado disse à polícia que eram obrigados a fazer protestos em rodovias, fechando as estradas, invadindo praças de pedágio, sob pena de expulsão do acampamento. “É importante, porém, separar as coisas”, pontua o delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Júlio Cezar dos Reis. “A operação da Polícia Civil não tem como alvo o MST, mas sim alguns integrantes do movimento suspeitos de cometer crimes. Não se discute aqui a legitimidade do MST, nem a questão fundiária. A investigação da Polícia Civil, conduzida de forma objetiva e eficiente, primando pelas técnicas policiais, revela que, através do MST, algumas pessoas cometeram crimes e, assim como todos, elas têm de ser responsabilizadas criminalmente”, disse Reis. A Operação Castra contou com o emprego de cerca de 70 policiais civis. Foram destacados policiais das delegacias de Cascavel, Francisco Beltrão e Laranjeiras do Sul, além de homens da Divisão de Narcóticos (Denarc) de Cascavel, do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), do Tático Integrado Grupos de Repressão Especial (Tigre) e do Grupamento de Operações Aéreas (GOA). A operação foi batizada como “Castra” porque o nome significa acampamento em latim. Fonte: AEN


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