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Quinta-feira, 16 de Abril de 2026
Base do governo blinda STF e evita indiciamento de ministros

Política

Base do governo blinda STF e evita indiciamento de ministros

Manobra governista altera composição da comissão e barra indiciamentos de ministros do STF

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, instalada em novembro de 2025 para apurar falhas no combate a facções criminosas, encerrou seus trabalhos na terça-feira (14) em meio a uma votação polêmica que rejeitou o relatório final do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Por 6 votos a 4, o colegiado derrubou o texto que pedia o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet. O documento acusava as autoridades de crimes de responsabilidade por não se declararem suspeitas em processos relacionados ao Banco Master, supostamente ligado à ocultação de recursos ilícitos e ao empresário Daniel Vorcaro, com quem teriam proximidade.

A rejeição do relatório, que poderia pavimentar pedidos de impeachment e ações criminais contra a cúpula do Judiciário, foi resultado de uma articulação direta do Palácio do Planalto. Horas antes da votação, a composição da CPI sofreu mudanças estratégicas: senadores da oposição, como Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES), foram substituídos por indicados do PT. A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) ascendeu a titular, garantindo o placar favorável ao governo. Inicialmente focada em investigações sobre crime organizado, a CPI desviou o eixo para o caso Master, gerando críticas por não indiciar membros de facções criminosas.

No STF, a reação foi de indignação e revanchismo. Ministros classificaram o relatório como "abuso de autoridade" e "uso eleitoreiro" da comissão. Gilmar Mendes ironizou que Vieira "se esqueceu de seus colegas milicianos". Uma ala da Corte agora discute medidas jurídicas para declarar o senador inelegível ainda em 2026, alegando que ele "cruzou uma linha" ao atacar o tribunal. Se o processo avançar, a Primeira Turma do STF julgará o caso – uma situação paradoxal em que a própria Corte analisaria denúncia originada de seus integrantes.

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O episódio intensifica a tensão entre Legislativo e Judiciário, expondo fissuras no equilíbrio de poderes e reacendendo debates sobre abuso de autoridade e interferências políticas.

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Edilson Rodrigues | Estadão
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