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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2026
Brasileiros evitam política no WhatsApp com medo de brigas e perseguição

Política

Brasileiros evitam política no WhatsApp com medo de brigas e perseguição

Estudo revela queda no compartilhamento de notícias políticas em grupos familiares e de amigos, com medo generalizado de opiniões em ambientes agressivos

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O compartilhamento de notícias políticas no WhatsApp diminuiu significativamente em grupos de família, amigos e trabalho entre 2021 e 2024, segundo estudo divulgado nesta segunda-feira (15) pelo InternetLab e pela Rede Conhecimento Social. A pesquisa, realizada online com 3.113 pessoas de 16 anos ou mais entre 20 de novembro e 10 de dezembro de 2024, em todas as regiões do Brasil, aponta que 54% dos usuários estão em grupos familiares, 53% em de amigos e 38% em profissionais. No entanto, apenas 6% participam de grupos dedicados a debates políticos, queda ante os 10% de 2020.

Nos grupos familiares, a frequência de mensagens sobre política, políticos e governo caiu de 34% em 2021 para 27% em 2024. Entre amigos, despencou de 38% para 24%, e nos de trabalho, de 16% para 11%. Entrevistados relatam um "senso autorregulador" para evitar conflitos. "Evitamos falar sobre política. Cada um tenta ter bom senso para não misturar as coisas", disse uma mulher de 50 anos de São Paulo sobre seu grupo familiar.

Receio domina interações

Mais da metade (56%) dos participantes teme emitir opiniões políticas devido ao "ambiente agressivo". Essa percepção afeta 63% dos de esquerda, 66% dos de centro e 61% dos de direita. "Os ataques estão mais acalorados. O pessoal não quer debater, quer ir para a briga", desabafou uma pernambucana de 36 anos. Comportamentos de autocensura se consolidaram: 52% se policiam mais no que dizem, 50% evitam o tema em grupos familiares para fugir de discussões, e 65% não compartilham mensagens que ataquem valores alheios. Cerca de 29% já saíram de grupos por desconforto. "Era demais, muita briga, propaganda política", contou uma entrevistada.

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Estratégias e perfis ousados

Apesar do receio geral, 12% compartilham conteúdos importantes mesmo causando desconforto, e 18% defendem ideias mesmo se ofensivas. "Eu taco fogo no grupo. Gosto de tacar lenha na fogueira e sou removida", brincou uma mineira de 26 anos. Entre os 44% que se sentem seguros, estratégias incluem: 30% usam humor para discutir política sem brigas; 34% preferem conversas privadas; e 29% limitam-se a grupos ideologicamente alinhados. "É como se as pessoas já tivessem aceitado que aquele grupo é mais alinhado com uma visão específica", explicou uma potiguar de 47 anos.

Heloisa Massaro, diretora do InternetLab, destaca o "amadurecimento" no uso do app, com normas éticas próprias se desenvolvendo desde 2020. "As pessoas se policiam mais, relatam um amadurecimento", afirma. O estudo, anual desde o fim de 2020 e apoiado pelo WhatsApp sem ingerência da empresa, reflete como o cotidiano digital espelha interações presenciais, mas com maior cautela política.

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