A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deu um passo importante em direção à sustentabilidade financeira dos clubes do país. Nesta segunda-feira, o presidente interino da entidade, Samir Xaud, assinou uma portaria que institui um grupo de trabalho com a missão de desenvolver um modelo de Fair Play Financeiro para o futebol brasileiro. O objetivo é criar um sistema que, de forma gradual, estabeleça regras para os gastos e a gestão das dívidas dos times.
A iniciativa visa replicar o sucesso do Fair Play financeiro europeu, que impõe limites de despesas baseados na receita, além de exigir a quitação de dívidas em atraso. A CBF reconhece a urgência da medida, citando "riscos" relacionados às contas dos clubes e a necessidade de garantir transferência, equilíbrio econômico-financeiro e responsabilidade fiscal. O novo modelo, que já recebeu o nome de Regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), também contemplará a nova realidade das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs).
O grupo de trabalho será presidido por Ricardo Paul, vice-presidente da CBF, e contará com membros da confederação, de clubes das Séries A e B, federações e consultores. Os clubes interessados em participar terão um prazo de cinco dias para manifestar sua intenção. Após a composição do grupo, haverá 90 dias para formalizar a proposta do novo regulamento à presidência da CBF. A expectativa é que, por ser um modelo amplamente debatido, sua aprovação seja facilitada.
O SSF terá como finalidade avaliar e monitorar as contas dos clubes e aplicar sanções em caso de descumprimento. A portaria, no entanto, enfatiza que a aplicação do regulamento será gradual, respeitando as condições específicas de cada clube e região.
Essa não é a primeira tentativa da CBF de implementar um sistema de Fair Play. Na gestão de Rogério Caboclo, um modelo de licenciamento de clubes que monitorava as contas foi proposto, mas acabou engavetado devido à resistência de times com problemas financeiros, como Corinthians e Atlético-MG na época. A atual gestão, contudo, reforça a necessidade do sistema, diante do preocupante aumento de 22% nas dívidas dos principais clubes brasileiros no ano passado, que ultrapassaram a marca de R$ 14 bilhões, segundo levantamento da Consultoria Convocados.
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