O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta terça-feira um marco na história política do Brasil: o julgamento da ação penal que acusa o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus de tentarem um golpe de Estado em 2022. A Primeira Turma, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, conduzirá as sessões, que devem ocorrer ao longo de setembro.
O julgamento, com sessões programadas para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro em Brasília, começa com o relatório de Moraes, que resume as supostas evidências e acusações. Em seguida, o procurador-geral Paulo Gonet terá duas horas para defender a condenação, enquanto a defesa, incluindo o delator Mauro Cid, terá cerca de uma hora para cada réu. Apenas essa fase pode durar mais de 10 horas.
O voto de Moraes deve ser apresentado a partir do dia 9, seguido pelos demais ministros. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), os oito acusados formavam o "núcleo crucial" da suposta trama golpista, com Bolsonaro apontado como o líder e principal beneficiário do plano para impedir a posse de Lula após as eleições de 2022.
As possíveis sentenças incluem crimes como organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. A pena de prisão só será cumprida após o trânsito em julgado, quando todos os recursos forem esgotados no STF.
O resultado é visto como um divisor de águas na política nacional, podendo levar à primeira condenação de um ex-presidente por este tipo de crime. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, já afirmou que, se eleito presidente em 2026, seu primeiro ato seria o indulto a Bolsonaro.
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