A região produtora de Faxinal, Cruzmaltina e Marilândia do Sul, reconhecida como um dos principais polos de cultivo protegido do Brasil, enfrenta uma crise sem precedentes. Um surto de Geminivírus, detectado no final de 2024, devastou lavouras de tomate, causando perdas estimadas em R$ 70 milhões apenas no primeiro semestre de 2025, nos municípios de Faxinal e Cruzmaltina.
Polo de Produção Ameaçado
Com 375 hectares de estufas em Faxinal e 60 hectares em Cruzmaltina, a região se destaca pela produção de tomate, que ocupa cerca de 90% da área cultivada. A colheita, realizada durante todo o ano, garante um abastecimento constante do mercado, com dois ciclos principais de cultivo. A produtividade média de 80 toneladas por hectare por ciclo resulta em uma produção de 31.280 toneladas de tomate, ou 1,5 milhão de caixas. Com o preço médio da caixa em torno de R$ 80,00 no CEASA de Londrina, o Valor Bruto da Produção (VBP) de tomate nos dois municípios chega a R$ 250 milhões por ciclo.
Ataque da Virose e Prejuízos Crescentes
No entanto, a ocorrência de uma virose, transmitida pela mosca branca, mudou drasticamente o cenário. Os sintomas, como nervuras claras, clorose internerval e paralisação do crescimento, se espalharam rapidamente, afetando tanto plantas jovens quanto adultas. A identificação do Geminivírus em janeiro de 2025 revelou a gravidade da situação.
A disseminação da virose coincidiu com o transplante de novas mudas, resultando na perda de 3,5 milhões de mudas de variedades sem tolerância ao vírus, a um custo de R$ 3,00 por muda, totalizando um prejuízo de R$ 10,5 milhões apenas em mudas. A região, que utilizava predominantemente variedades suscetíveis ao vírus, teve que recorrer a variedades tolerantes, que, apesar de apresentarem sintomas, conseguem se desenvolver, mas com menor produtividade e qualidade dos frutos.
Impactos Econômicos e Sociais Devastadores
O replantio com variedades tolerantes atrasou a safra em mais de 100 dias, concentrando a produção no mesmo período de outras regiões produtoras e reduzindo os preços. Além disso, o risco de perdas por geadas aumentou, já que a colheita se estenderá até os meses de junho e julho.
A crise também impactou o setor social, com o êxodo rural de famílias que trabalham nas lavouras, buscando oportunidades em centros urbanos. O endividamento dos produtores, que utilizam recursos próprios e compras a prazo, se agravou com a perda da produção e os custos do replantio.
Medidas e Perspectivas
Diante da gravidade da situação, medidas de controle da mosca branca e o uso de variedades tolerantes ao Geminivírus são cruciais para a recuperação da produção. No entanto, a diversificação de culturas e o acesso a crédito rural e seguro agrícola também são fundamentais para garantir a sustentabilidade da região produtora.
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