A recente polêmica envolvendo a senadora Soraya Thronicke e o Frei Gilson ilustra, de forma clara, como um debate teológico foi transformado em arma legislativa contra a Igreja e contra a visão tradicional de família. Ao usar sua atuação como relatora do projeto que equipara a misoginia ao racismo, Thronicke tentou varrer para debaixo de um marco penal autoritário não apenas um religioso específico, mas também o próprio texto bíblico que sustenta a cosmovisão cristã.
O que a senadora fez ao atacar o Frei Gilson
Soraya Thronicke repercutiu, em rede social, um vídeo em que Frei Gilson discursa sobre empoderamento feminino e liderança masculina, citando Gênesis 2.18 para afirmar que a mulher foi criada como “auxiliadora” do homem. A senadora não se limitou a discordar teologicamente: classificou o frei como “falso profeta”, acusou‑o de misoginia e pediu “providências” da Igreja Católica, convertendo um ensinamento religioso em caso de intolerância e ódio.
Como o PL da misoginia se junta ao debate
O projeto que Thronicke ajuda a relatar amplia a Lei 7.716/1989 (que trata de crimes de racismo) para incluir a injúria misógina, criminalizando discursos que “desprezam” ou “dificultam” a participação das mulheres na sociedade. Justificando‑se, a senadora afirma que a misoginia é “nascedouro da violência contra a mulher”, o que abre uma porta enorme para que qualquer pregação sobre papéis masculinos e femininos possa ser enquadrada como ódio público, sob risco penal.
Como a Bíblia foi tratada como “misógina”
Na crítica ao Frei Gilson, a senadora não apenas rejeitou sua leitura de Gênesis, mas usou a própria Bíblia como anteprojeto de misoginia, insinuando que trechos como Gênesis 2.18 e, por extensão, Efésios 5 – que fala da submissão da mulher como analogia ao modo com que a Igreja se submete a Cristo – seriam bases de uma doutrina que subjuga a mulher. Ao mesmo tempo, a senadora invoca o mandamento de não tomar o nome de Deus em vão (Êxodo 20.7) para acusar o frei de “falso profeta”, usando a Escritura exatamente para desconstruir a Escritura, como se o texto bíblico não pudesse ser interpretado a partir da fé cristã, mas apenas pela lente secular e jurídica.
Autoritarismo contra homens e igreja
O cerne do problema é que o PL da misoginia, com a leitura que Thronicke defende, não se limita a punir agressões físicas, mas entra em terreno de ideias e de pregas. Ao equiparar certos discursos sobre papéis de gênero a formas de ódio coletivo, a legislação passa a coibir, de forma indireta, a pregação cristã tradicional sobre casamento, liderança familiar e obediência recíproca entre cônjuges. Homens que assumem a liderança moral e espiritual no lar, como sugerem trechos de Efésios 5, e igrejas que ensinam esses textos fielmente passam a ser enquadrados como potenciais agentes de “misoginia”, o que é claramente um uso autoritário do poder estatal para moldar a fé e a moral, não apenas os crimes.
O episódio mostra como um discurso religioso pode ser politizado e criminalizado quando se combina pressão ideológica, exposição midiática e ampliação de conceitos penais como o de “misoginia”. Ao tentar chamar a Bíblia de misógina, via trechos como Gênesis 2.18 e Efésios 5, e ao usar um PL que pode enquadrar pregadores como “incitadores de ódio”, a senadora Thronicke não apenas atacou o Frei Gilson, mas colocou toda a liberdade de ensino cristão – e a liberdade masculina de exercer a liderança moral segundo a fé – sob a mira do Estado punitivo.
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