O Hospital Israelita Albert Einstein, com apoio do Ministério da Saúde, celebrou um marco inédito na medicina brasileira: o desenvolvimento e aplicação bem-sucedida da terapia celular CAR-T, uma das mais avançadas contra o câncer. Realizado entre 2023 e 2024, o estudo tratou 11 pacientes, de 9 a 69 anos, com leucemias e linfomas agressivos, como Leucemia Linfoblástica Aguda de células B (LLA-B), Linfoma Não Hodgkin (LNH) e Leucemia Linfóide Crônica (LLC). Essa conquista elimina a dependência de importações caras e demoradas, pavimentando o caminho para o Sistema Único de Saúde (SUS).
A CAR-T funciona reprogramando geneticamente as células T do próprio paciente. Extraídas do sangue, essas células são modificadas em laboratório para reconhecer proteínas específicas nas células tumorais. Reinfundidas no corpo, elas atacam seletivamente as doentes, preservando tecidos saudáveis. Altamente eficaz em cânceres de sangue resistentes a outros tratamentos, a terapia promete mudar o cenário oncológico.
O grande desafio até agora era o custo — superior a R$ 2 milhões por paciente — e a logística internacional, que atrasava a aplicação e reduzia a eficácia. O Albert Einstein superou isso com "manufatura acadêmica" local: produção no hospital, com prazo médio de 22 dias entre coleta e infusão. Isso corta riscos de transporte e armazenamento, além de baratear o processo.
Os resultados impressionam: 81% dos pacientes responderam positivamente, e 72% alcançaram remissão completa, sem sinais detectáveis da doença. "Queremos criar um ecossistema nacional em rede", afirma Nelson Hamerschlak, hematologista e coordenador do estudo. A próxima fase, em 2026 ou 2027, expandirá para outros cânceres, democratizando o acesso via SUS.
Essa inovação posiciona o Brasil como líder em terapias celulares na América Latina, oferecendo esperança a milhares de pacientes.

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