Nos últimos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom das críticas contra Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Lula ironizou o desejo do republicano de receber o Nobel da Paz enquanto o acusa de escalar a guerra no Irã. Na terça-feira, o petista ameaçou adotar reciprocidade após a expulsão de um delegado da Polícia Federal (PF) dos EUA. A medida foi cumprida na quarta-feira, quando a PF retirou a credencial de um servidor americano, em retaliação direta.
Embora as declarações sejam direcionadas ao POTUS (presidente dos EUA), fontes do entorno do Planalto veem no confronto uma jogada eleitoral astuta. A estratégia remete ao ano passado, quando Trump impôs sobretaxas a produtos brasileiros. Lula reagiu com um discurso de soberania nacional, o que impulsionou sua popularidade, conforme pesquisas como a Genial/Quaest publicada no Valor Econômico. Bater de frente com Washington provou ser um combustível político eficaz.
Agora, o foco parece estar em Flávio Bolsonaro, tratado como principal nome da oposição. A tática é colar no senador a imagem de um candidato alinhado aos interesses americanos e subordinado a Trump – cuja aprovação está em apenas 36%, o menor nível de seu mandato. Lula aposta que uma eventual intervenção do republicano no pleito brasileiro seria um "presente de campanha" para sua reeleição. O petista associa isso ao fracasso recente de Viktor Orbán, na Hungria, que perdeu poder apesar do apoio público de Trump.
Ao que indica, Lula deve insistir em um discurso de defensor do Brasil contra pressões externas, consolidando sua base em busca de novo mandato.
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