A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido urgente para suspender uma lei municipal de Londrina, no Paraná, que veta a participação de atletas transgêneros em competições esportivas na cidade. A ação foi enviada na quarta-feira (25) e visa garantir as semifinais da Copa Brasil de vôlei feminino, marcadas para este fim de semana no ginásio Moringão.
A norma, em vigor desde 2024, colide diretamente com o calendário da CBV. O principal afetado é o jogo desta sexta-feira (27), entre Osasco São Cristóvão Saúde e Sesc RJ Flamengo. A atleta Tiffany Abreu, primeira mulher trans a competir profissionalmente no vôlei brasileiro, integra o time de Osasco e está regularmente inscrita na competição.
Em sua petição, a CBV destaca que Tiffany cumpre todos os requisitos da política de elegibilidade da entidade. "A atleta está devidamente registrada e apta a atuar, tendo participado das últimas partidas sem intercorrências, conforme os regulamentos nacionais", argumenta o texto. A confederação reforça que a lei municipal invade competências federais e viola princípios de inclusão no esporte.
O caso tramita sob relatoria da ministra Cármen Lúcia. O Osasco emitiu nota oficial apoiando a jogadora, que atua há mais de oito anos com conduta exemplar e atende aos critérios médicos da CBV. "Nosso clube valoriza inclusão, diversidade e respeito. Defendemos o direito constitucional de Tiffany ao trabalho, sem discriminação", declarou o time.
A disputa reacende debates sobre inclusão de atletas trans no esporte. A CBV busca liminar para evitar prejuízos à competição, que atrai milhares de torcedores e define finalistas da Copa Brasil. Até o momento, a prefeitura de Londrina não se manifestou publicamente sobre o recurso.
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