No primeiro semestre de 2026, o transporte intermunicipal no eixo Londrina-Apucarana e Vale do Ivaí passou por uma reestruturação radical. As concessionárias Viação Garcia e Expresso Nordeste, com autorização do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), eliminaram diversas linhas e horários, deixando cidades de pequeno porte em isolamento parcial. A medida visa ajustar custos e otimizar logística, mas agrava a mobilidade de milhares de moradores.
A Expresso Nordeste, tradicional elo entre o Vale do Ivaí e centros urbanos maiores, mudou sua estratégia para operações "ponto a ponto" e entregas de encomendas. A empresa cortou horários comerciais em Jandaia do Sul, Cambira e Mandaguari. Além disso, abandonou rotas como Apucarana-Rio Bom e Apucarana-Faxinal, justificando baixa viabilidade econômica. Esses cortes eliminam conexões essenciais, forçando usuários a rotas alternativas mais longas.
Já a Viação Garcia, líder no transporte de passageiros, concentrou supressões em ramais secundários do cinturão metropolitano de Londrina e Norte Pioneiro. A linha Bela Vista do Paraíso-Londrina, via Sertanópolis, perdeu horários diretos, obrigando passageiros a usarem linhas de passagem que evitam terminais urbanos. No Vale do Ivaí, o impacto foi severo: Marumbi, Kaloré e Borrazópolis tiveram operações totalmente encerradas pela empresa.
O DER-PR classificou as mudanças como "racionalização do sistema" para equilibrar finanças das operadoras. Para mitigar o desabastecimento, o órgão abriu editais para Linhas Provisórias, com vans e micro-ônibus de empresas menores assumindo trechos abandonados. Municípios mais afetados incluem:
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Marumbi e Kaloré: supressão total pela Viação Garcia.
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Bela Vista do Paraíso: redução drástica pela Viação Garcia.
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Rio Bom: abandono pela Expresso Nordeste.
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Jandaia do Sul: corte de frequências pela Expresso Nordeste.
Usuários relatam esperas maiores, perda de horários noturnos e de fins de semana, e menor conectividade direta. Enquanto concessionárias buscam sustentabilidade financeira, moradores de cidades menores lidam com um serviço no limite da oferta essencial, questionando o equilíbrio entre economia e acesso público.
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