A recente decisão do ministro Alexandre de Moraes de decretar a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, após o descumprimento de medidas cautelares, gerou um considerável desconforto nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida, tomada unilateralmente por Moraes em sua prerrogativa de relator, foi vista por parte da Corte como precipitada, ampliando as tensões internas e o isolamento do ministro.
Fontes próximas ao Supremo indicam que a condução solitária da situação surpreendeu alguns colegas, que prefeririam uma abordagem mais cautelosa, talvez ignorando a “provocação” e aguardando o julgamento de setembro para decidir o futuro de Bolsonaro. Essa insatisfação se soma à sanção dos Estados Unidos a Moraes, baseada na Lei Magnitsky, o que aprofundou as divisões na Corte.
O racha ficou ainda mais evidente após as medidas americanas. Enquanto seis ministros se manifestaram em defesa de Moraes, outros quatro – Kassio Nunes, André Mendonça, Luiz Fux e Dias Toffoli – optaram pelo silêncio, demonstrando a falta de consenso. A divisão se manifestou publicamente no jantar oferecido pelo presidente Lula, onde, apesar de um pedido de Moraes por uma manifestação conjunta contra as sanções, cinco dos 11 ministros do STF não compareceram.
A tensão nos bastidores do STF tem gerado frustração até mesmo no presidente da Corte, Roberto Barroso. De acordo com fontes, Barroso, que está prestes a deixar o comando do Supremo, estaria tão incomodado com o clima interno que considera a possibilidade de antecipar sua saída definitiva. A situação aponta para um cenário de profunda turbulência e incerteza no mais alto escalão do Poder Judiciário brasileiro.

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