O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, corre contra o tempo para fechar sua delação premiada no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo reportagem do Valor Econômico, ele sinalizou disposição para devolver até R$ 40 bilhões ao longo de 10 anos, o que representa pouco mais de dois terços do total estimado da fraude envolvendo a instituição financeira, que explodiu nos anos 1990 com rombos bilionários nos cofres públicos.
Uma das prioridades na proposta seria a devolução imediata de valores suficientes para cobrir os déficits nas previdências estaduais e municipais, quantia que supera R$ 3 bilhões. Essa iniciativa visa reparar diretamente os prejuízos causados pelo esquema, que manipulou títulos públicos e gerou calotes em larga escala.
A delação ganha relevância estratégica para as investigações. Autoridades da Polícia Federal veem no acordo o caminho definitivo para desvendar o funcionamento completo do esquema do Banco Master, revelando nomes chave de envolvidos — de executivos a possíveis beneficiários em esferas públicas e privadas. Até hoje, muitos detalhes permanecem obscuros, e o depoimento de Vorcaro poderia ser o elo perdido.
No entanto, a proposta enfrenta forte resistência do relator no STF, ministro André Mendonça. Nos bastidores, avaliam que o magistrado prefere pagamentos mais ágeis, ainda que em montante total menor, para evitar riscos de revisão futura. Preocupa o histórico de acordos prolongados, como nos escândalos do Mensalão e da Operação Lava Jato, onde delações foram anuladas, renegociadas ou questionadas judicialmente anos depois, frustrando a recuperação de recursos.
Investigadores também questionam a solidez da oferta. Há duas suspeitas principais: primeiro, o dinheiro fraudado pode não ter lastro real, tornando-o "inexistente" na prática; segundo, Vorcaro talvez não controle integralmente esses recursos, atuando como laranja de uma rede maior e mais complexa. Se homologado sobre bases frágeis, o acordo traria duplo prejuízo: menor recuperação financeira e maior risco de impunidade para os responsáveis.
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