Filipe Martins, ex-assessor especial do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi preso em flagrante nesta sexta-feira (2) pela Polícia Federal (PF) em sua residência em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a detenção por descumprimento de medida cautelar imposta durante a prisão domiciliar do réu.
Martins cumpria regime domiciliar desde 27 de dezembro de 2025, com proibição expressa de acessar redes sociais. A PF agiu após o STF identificar violação dessa restrição. De acordo com autos do processo, em 29 de dezembro, o condenado usou o LinkedIn para buscar perfis de terceiros, o que foi juntado como prova. Moraes havia cobrado manifestação da defesa no início da semana sobre o suposto descumprimento.
A Polícia Penal do Paraná confirmou que Martins foi encaminhado a uma unidade prisional local, agora sob custódia do sistema penitenciário estadual. A condenação de Martins ocorreu em 16 de dezembro de 2025, pela Primeira Turma do STF, que o sentenciou a 21 anos de prisão por participação em tentativa de golpe de Estado, no contexto dos eventos de 8 de janeiro de 2023.
A defesa, liderada pelo advogado Jeffrey Chiquini, nega veementemente a infração. "Filipe está há mais de 600 dias cumprindo todas as determinações judiciais. Nunca recebeu nenhuma advertência, nunca foi admoestado por ter descumprido qualquer ordem judicial, e hoje foi punido novamente, sem que tenha feito nada de errado", afirmou Chiquini em nota. Ele anunciou reunião com outros advogados para definir estratégias, como possível habeas corpus ou recurso contra a prisão.
O caso ganha contornos polêmicos em meio ao julgamento de aliados de Bolsonaro por supostas tramas golpistas. Moraes, relator das investigações, tem atuado com rigor em medidas cautelares para evitar interferências. A prisão de Martins reforça o endurecimento contra réus que, segundo o STF, testam limites judiciais mesmo sob restrições severas.

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