O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou nesta terça-feira (28) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou três pedidos das Forças Armadas para operações policiais no estado, especialmente na ação recente contra o Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha, que já deixou 64 mortos. Castro relatou dificuldades em obter apoio federal, citando a negativa do uso de blindados sob a justificativa da necessidade de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), ação vetada pelo presidente. Ele classificou a argumentação como uma dificuldade constante para cooperação.
O governador criticou a ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, decisão do Supremo Tribunal Federal que restringe operações policiais a casos urgentes. Chamou a medida de “maldita” e os presos da operação de “filhotes da ADPF”, apontando que líderes do tráfico de outros estados migraram para o RJ após a decisão da Corte. Para Castro, a operação Contenção foi crucial após cinco anos da vigência da ADPF, ressaltando que o estado está sem auxílio das forças federais e do Ministério da Defesa, operando de forma isolada.
Em contrapartida, o Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou nota afirmando que tem atendido prontamente todos os pedidos do governo do Rio para emprego da Força Nacional e que mantém atuação contínua no estado desde 2023. A pasta destacou a participação ativa da Polícia Federal, que, só em 2025, realizou 178 operações, com 210 prisões, apreensão de 10 toneladas de drogas e 190 armas, além de operações especiais como Forja, Buzz Bomb e Libertatis.

O Ministério também ressaltou que a Polícia Rodoviária Federal vem combatendo roubos nas rodovias, com recuperação de mais de 3 mil veículos e milhares de prisões. Em termos financeiros, o RJ recebeu recursos federais que superam R$ 400 milhões para segurança pública e sistema penitenciário, embora parte ainda esteja sem uso.
Programas de cooperação técnica entre União e estado foram citados, incluindo a criação de células integradas para captura de criminosos, com foco em inteligência financeira para combater lavagem de dinheiro, e acordo para presídios federais para abrigar líderes criminosos. O Ministério reforça o compromisso com a segurança e o combate cooperado ao crime organizado no Rio de Janeiro.

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