O governo federal já desembolsou R$ 233 milhões com viagens nos primeiros meses de 2026, valor superior ao orçamento anual de muitos municípios brasileiros. Esses gastos, revelados pelo jornalista Claudio Dantas com base no Portal da Transparência, incluem R$ 127 milhões em diárias e R$ 105 milhões em passagens aéreas. Em março, os custos saltaram para R$ 126 milhões em apenas 18 dias.
Na quarta-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira-dama Janja e uma ampla comitiva retornaram de uma viagem pela Europa, passando por Espanha, Alemanha e Portugal. Destaque para a hospedagem na Alemanha: mais de R$ 812 mil em hotel de luxo, pagos com dinheiro público. Lula acumulou 16 dias fora do país neste ano.
Surpreendentemente, o Ministério da Justiça lidera os custos com deslocamentos, superando até o Itamaraty, que poderia justificar despesas com diplomacia. A maior parte dos gastos beneficia servidores em cargos de confiança, nomeados politicamente. Pelo terceiro ano seguido, o governo bate recorde histórico: R$ 2,44 bilhões acumulados em viagens.
Críticos questionam o retorno concreto para o contribuinte, que financia essas despesas via impostos. Enquanto o Planalto prega justiça social e austeridade, a comitiva presidencial viaja com luxo, contrastando com a inflação que corrói salários e a economia estagnada. O Portal da Transparência divulga os dados, mas com atrasos, limitando a fiscalização imediata.
Esse padrão revela incoerência: discurso de contenção de gastos no púlpito, farra nos bastidores. Um Estado que não controla suas próprias despesas perde credibilidade para exigir sacrifícios da população. A conta, mais uma vez, recai sobre quem não viaja.
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