O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), manifestou preocupação com os protestos que agitam o Irã desde 28 de dezembro de 2025. Em nota oficial divulgada nesta terça-feira (13 de janeiro de 2026), o Planalto lamentou as mais de 600 mortes registradas nos confrontos e reforçou que o futuro do país cabe exclusivamente aos iranianos decidir, de forma soberana. "O Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo", destacou o texto, assinado sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os protestos, inicialmente motivados pela crise econômica – com inflação de 42,2% em dezembro de 2025, desvalorização da moeda e alta nos preços de bens essenciais –, evoluíram para demandas por reformas políticas, mais liberdades e críticas ao ditador, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos no poder desde 1989. Comerciantes e trabalhadores saíram às ruas em várias cidades, mas enfrentaram repressão dura: agentes de segurança usaram armas de fogo, gás lacrimogêneo e cortaram o acesso à internet desde 9 de janeiro. Khamenei classificou os manifestantes como "sabotadores". O regime teocrático xiita, baseado na Sharia, impõe restrições severas, como o hijab obrigatório para mulheres a partir dos 9 anos e autorizações maritais para viagens.
A tensão internacional escalou com ameaças dos Estados Unidos. Na segunda-feira (12 de janeiro), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, admitiu que ataques aéreos estão em análise contra o Irã. Em resposta, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Ghalibaf, avisou no domingo (11 de janeiro) que qualquer agressão militar provocará retaliações a Israel e bases americanas na região.
Até o momento, não há brasileiros entre as vítimas. A Embaixada do Brasil em Teerã monitora a comunidade local. A oposição iraniana segue fragmentada, entre monarquistas exilados, a MEK (Organização dos Mujahideen do Povo), minorias étnicas e movimentos reprimidos, sem liderança unificada.
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