A República Islâmica do Irã anunciou, nesta sexta-feira (17), a reabertura total do Estreito de Ormuz para navios comerciais. A decisão segue o acordo de cessar-fogo no Líbano entre Israel e Hezbollah, anunciado pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e que entrou em vigor na noite de quinta-feira (16). O estreito, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, havia sido fechado parcialmente, gerando turbulências econômicas globais. Agora, a passagem fica liberada até o fim do prazo da trégua na guerra entre Irã e Estados Unidos, na próxima terça-feira (21).
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, confirmou a medida em declaração oficial. "A passagem para todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz é declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Marítima da República Islâmica do Irã", afirmou. A reabertura faz parte de um pacote acordado entre Teerã e Washington, que previa o fim das hostilidades em todas as frentes da guerra no Oriente Médio. O Irã havia condicionado negociações futuras ao término dos ataques israelenses no Líbano.
No Líbano, a trégua de dez dias trouxe alívio imediato. Milhares de libaneses comemoraram nas ruas e iniciaram o retorno às suas casas. Estima-se que mais de 1 milhão de pessoas tenham sido deslocadas internamente durante os 45 dias de intensos combates. Já no Irã, o cessar-fogo começou em 8 de abril, mas foi abalado pelo fracasso das negociações de paz no Paquistão, no último fim de semana. Em resposta, os EUA impuseram um bloqueio naval aos portos iranianos, prometido por Trump. Apesar disso, a eficácia do bloqueio é questionada: três petroleiros iranianos, carregando 5 milhões de barris de petróleo bruto, saíram do Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz, segundo a empresa de rastreamento Kpler, citada pela agência francesa AFP.
A medida iraniana sinaliza uma possível desescalada na região, mas o mundo acompanha com cautela o cumprimento da trégua até terça-feira. Analistas destacam que a estabilidade no Ormuz é crucial para evitar novas crises energéticas.
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