O otimismo gerado por um cessar-fogo mútuo, anunciado com entusiasmo pelo ex-presidente dos EUA Donald Trump e a reabertura inicial do Estreito de Ormuz, durou menos de 24 horas. O que parecia o fim de dias de guerra intensa virou pó quando o Irã restabeleceu o fechamento total da crucial via marítima para o tráfego de petróleo. A decisão de Teerã veio como retaliação direta a ataques massivos de Israel no Líbano, interpretados como violação flagrante do acordo de trégua.
O cerne do impasse reside nas interpretações divergentes sobre o escopo do cessar-fogo. De um lado, o mediador Paquistão e o Irã defendem que a trégua deveria suspender todas as frentes de combate. Do outro, EUA e Israel argumentam que o Líbano não estava incluído no pacto, permitindo ações contra o Hezbollah. Sob essa visão, forças israelenses bombardearam mais de 100 alvos do grupo militante em apenas 10 minutos, atingindo inclusive o centro de Beirute. Para a Guarda Revolucionária Iraniana, esses ataques equivalem a uma agressão direta ao território soberano do Irã, justificando a interrupção imediata do tráfego naval no Estreito de Ormuz e a declaração de estado de prontidão militar para novas respostas.
Mesmo breve, o "gostinho de paz" mexeu com os mercados financeiros. O dólar fechou ontem cotado a R$ 5,10, o menor patamar em dois anos, refletindo alívio temporário. Já o petróleo despencou cerca de 12%, para US$ 96 o barril, em meio à expectativa de fluxo normalizado — que não se concretizou. Analistas alertam que o bloqueio do Estreito, por onde passa 20% do petróleo mundial, pode elevar preços e pressionar economias dependentes de importações, como o Brasil.
A escalada reacende temores de um conflito regional mais amplo, com o Irã sinalizando retaliações e Israel mantendo postura ofensiva. Diplomatas internacionais correm contra o tempo para mediar, mas as 24 horas de calmaria provam: em tempos de guerra, a paz é frágil.
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