A disputa comercial entre o Brasil e a França ganhou um novo capítulo nos últimos dias, com um contra-ataque da indústria brasileira de carne bovina. Pouco depois do anúncio do Carrefour de que deixaria de vender carne dos países do Mercosul em suas lojas na França, os produtores brasileiros decidiram retaliar, paralisando o abastecimento de todas as unidades do grupo no Brasil.
A decisão de boicotar o Carrefour foi uma resposta direta à postura da rede francesa, que decidiu apoiar os protestos de agricultores europeus contra o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Com a justificativa de que "se não serve lá, então não serve para as lojas daqui", as maiores entidades do agronegócio brasileiro aderiram ao movimento, visando pressionar o Carrefour a rever sua posição.
A paralisação do abastecimento já está causando impactos significativos, com mais de 100 lojas do Carrefour no Brasil enfrentando falta de carne nos açougues. A medida ocorre em um ano em que a produção de carne bovina brasileira deve atingir um recorde histórico, com estimativa de mais de 10,19 milhões de toneladas.
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de carne bovina e um dos principais exportadores do produto. A União Europeia é um dos principais destinos da carne bovina brasileira, representando 27% das importações do bloco. No entanto, a decisão do Carrefour de boicotar a carne brasileira pode afetar as exportações brasileiras para outros países da Europa.
O Ministério da Agricultura brasileiro criticou o boicote francês, mas a reação da indústria nacional foi imediata e contundente. Os dados mostram que o Brasil aumentou suas exportações de carne bovina em quase 30% nos primeiros nove meses de 2024, gerando uma receita de US$ 9 bilhões.
Tribuna Digital