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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2026
Lula critica tentativa dos EUA em derrubar ditadura venezuelana

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Lula critica tentativa dos EUA em derrubar ditadura venezuelana

Presidente brasileiro defende diplomacia em discurso no Mercosul e cobra interesses reais de Trump

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No discurso proferido durante a reunião do Mercosul neste sábado (20), em Buenos Aires, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou para o risco iminente de um conflito armado na América do Sul. Ele destacou a ameaça de intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que poderia derrubar a ditadura do presidente Nicolás Maduro e desencadear uma guerra de proporções imprevisíveis na região.

Lula comparou o cenário atual à Guerra das Malvinas, há mais de quatro décadas, afirmando que o continente sul-americano volta a ser assombrado pela presença militar de uma potência extrarregional. "Os limites do direito internacional estão sendo testados", declarou. "Uma intervenção armada na Venezuela seria uma catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para o mundo."

A tensão escalou com tropas americanas cercando o Mar do Caribe, na fronteira venezuelana, sob o pretexto de combater o narcotráfico. Os EUA impuseram um bloqueio a navios petroleiros venezuelanos, vital para a economia do país, um dos maiores produtores de petróleo do planeta. Essa medida ameaça causar asfixia financeira a Caracas. Desde setembro, cerca de 25 ataques a embarcações no Caribe, atribuídos a forças militares dos EUA, resultaram na morte de pelo menos 95 pessoas.

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O presidente Donald Trump intensificou as ameaças em declarações recentes: "[A Venezuela] está completamente cercada pela maior armada já reunida na história da América do Sul. Ela só vai crescer, e o choque para eles será algo nunca visto antes – até que devolvam aos Estados Unidos da América todo o petróleo, terras e outros bens que nos roubaram." Essas palavras levantam suspeitas sobre os reais interesses americanos, além do combate ao narcotráfico, como o controle de recursos energéticos.

Em entrevista na quinta-feira (18), no Palácio do Planalto, Lula revelou ter conversado por telefone com Maduro e Trump para buscar uma solução diplomática. "Falei para o presidente Maduro que se ele quisesse que o Brasil ajudasse com alguma coisa ele tinha que dizer o que ele gostaria que a gente fizesse. E disse ao Trump: 'Se você achar que o Brasil pode contribuir, nós teremos todo interesse de conversar com a Venezuela, de conversar com vocês, conversar com outros países para que a gente evite um confronto armado aqui na América Latina e na nossa querida América do Sul'", relatou.

O presidente brasileiro enfatizou a extensa fronteira comum com a Venezuela e questionou as motivações ocultas: "Era possível negociar sem guerra. Então, eu fico sempre preocupado com o que está por detrás. Porque não pode ser apenas a questão de derrubar o Maduro. Quais são os interesses outros que a gente tem e ainda não se sabe?" Lula prometeu ligar novamente para Trump antes do Natal e instruiu o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a permanecer atento, sem se afastar do Brasil nas próximas semanas, ante o risco de agravamento.

O pronunciamento ocorre em meio à assinatura iminente do acordo UE-Mercosul, apesar da oposição francesa, reforçando o apelo de Lula por estabilidade regional e multilateralismo.

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Ricardo Stuckert/PR
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