Autoridades iranianas sinalizaram neste sábado (10) uma escalada na repressão às maiores manifestações contra o governo em anos, iniciadas em 28 de dezembro em reação à inflação galopante. Os Guardas Revolucionários, força de elite leal ao regime clerical, culparam "terroristas" pelos ataques a bases militares e policiais nas últimas noites, prometendo defender o sistema de governo a qualquer custo. Imagens de multidões em Teerã e fogos nas ruas, confirmadas pela Reuters via satélite, ilustram a intensidade dos protestos, que se espalharam pelo país e viraram um grito por fim ao regime.
Segundo o grupo de direitos humanos HRANA, o saldo trágico inclui pelo menos 50 manifestantes e 15 membros de segurança mortos, totalizando 65 vidas perdidas, além de cerca de 2.300 prisões. Um apagão na internet complica a aferição precisa da violência, mas relatos isolados pintam um quadro sombrio. Uma testemunha no oeste do Irã, contatada por telefone e pedindo anonimato, descreveu Guardas Revolucionários posicionados e atirando na região. No noroeste, um médico relatou hospitais lotados desde sexta-feira (9): manifestantes gravemente espancados, com ferimentos na cabeça, fraturas em pernas e braços, cortes profundos e pelo menos 20 baleados com munição real – cinco deles faleceram depois.
Os protestos, inicialmente econômicos, ganharam contornos políticos radicais, com demandas pelo derrube dos líderes clericais. Autoridades acusam Estados Unidos e Israel de instigarem a agitação. Um dia após o presidente norte-americano Donald Trump emitir novo alerta de possível intervenção dos EUA, a tensão explodiu. Em comunicado na TV estatal, os Guardas – que já sufocaram revoltas passadas – denunciaram incêndios em propriedades públicas e privadas, além de mortes de civis e forças de segurança.
Destaque para Reza Pahlavi, 65 anos, filho exilado do último xá, derrubado na Revolução de 1979. Residente nos EUA e voz proeminente da oposição fragmentada, ele postou vídeo no X com apelo veemente: "A República Islâmica será colocada de joelhos". Pahlavi conclamou o povo a tomar centros das cidades e anunciou preparativos para retornar ao Irã em breve, alimentando esperanças de revolta popular.

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