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Quarta-feira, 22 de Abril de 2026
Promotores do Gaeco pedem exoneração coletiva após soltura de políticos

Justiça

Promotores do Gaeco pedem exoneração coletiva após soltura de políticos

Divergência sobre soltura de investigados na Operação Tântalo II abala instituição

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Uma crise institucional inédita abalou o Ministério Público do Maranhão (MP-MA) neste fim de semana. Dez promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), lotados em São Luís, Imperatriz e Timon, protocolaram pedido de exoneração coletiva das funções no órgão. O documento, enviado no domingo (11/1) ao procurador-geral Danilo José de Castro Ferreira, critica duramente o posicionamento da Procuradoria-Geral favorável à soltura de alvos da Operação Tântalo II.

A operação investiga um suposto esquema de corrupção em Turilândia, no interior do estado, com desvio estimado em R$ 56 milhões de recursos públicos entre 2021 e 2025. Prisões preventivas foram decretadas contra o prefeito Paulo Curió (União Brasil), a vice-prefeita, vereadores, empresários e servidores, com base em provas robustas aceitas pelo Judiciário. O Gaeco argumenta que as detenções visavam preservar as apurações, evitar reiteração de crimes e coibir interferências políticas.

No entanto, o MP-MA, por meio do procurador-geral em exercício Orfileno Bezerra Neto, emitiu parecer à 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão defendendo a revogação das prisões em favor de medidas alternativas, como tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno, proibição de contato entre investigados e restrição de acesso a órgãos públicos. A instituição manteve o pedido de afastamento do prefeito do cargo. A decisão final cabe ao tribunal.

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Os promotores exonerados afirmam que o parecer contraria análises técnicas acumuladas na investigação, fragilizando o combate ao crime organizado e a credibilidade do MP-MA. Eles descrevem uma organização criminosa estruturada na Prefeitura e Câmara de Turilândia, com divisão de tarefas entre políticos, empresários e operadores financeiros. Empresas de fachada emitiam notas fiscais frias para fraudar licitações e pagamentos de serviços inexistentes, especialmente em Saúde e Assistência Social. Parte dos recursos seria repassada a vereadores para aprovar contas e driblar fiscalizações.

A exoneração é vista nos bastidores como um racha profundo na instituição. Apesar da saída, o Gaeco promete entregar relatório detalhado para continuidade dos trabalhos. Em nota divulgada na segunda-feira (12/1), o MP-MA minimizou o episódio, chamando-o de "alteração natural" em estruturas administrativas. A instituição anunciou a nomeação do procurador Haroldo Paiva de Brito para coordenar o Gaeco e a Coordenadoria de Assuntos Estratégicos e Inteligência (CAEI), com promessa de novas contratações para prosseguir as investigações.

O caso expõe tensões internas no MP-MA e levanta debates sobre independência funcional de promotores frente a decisões da chefia. A Operação Tântalo II, deflagrada em dezembro como desdobramento de fase anterior, segue como marco no combate à corrupção no Maranhão.

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