Uma crise institucional inédita abalou o Ministério Público do Maranhão (MP-MA) neste fim de semana. Dez promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), lotados em São Luís, Imperatriz e Timon, protocolaram pedido de exoneração coletiva das funções no órgão. O documento, enviado no domingo (11/1) ao procurador-geral Danilo José de Castro Ferreira, critica duramente o posicionamento da Procuradoria-Geral favorável à soltura de alvos da Operação Tântalo II.
A operação investiga um suposto esquema de corrupção em Turilândia, no interior do estado, com desvio estimado em R$ 56 milhões de recursos públicos entre 2021 e 2025. Prisões preventivas foram decretadas contra o prefeito Paulo Curió (União Brasil), a vice-prefeita, vereadores, empresários e servidores, com base em provas robustas aceitas pelo Judiciário. O Gaeco argumenta que as detenções visavam preservar as apurações, evitar reiteração de crimes e coibir interferências políticas.
No entanto, o MP-MA, por meio do procurador-geral em exercício Orfileno Bezerra Neto, emitiu parecer à 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão defendendo a revogação das prisões em favor de medidas alternativas, como tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno, proibição de contato entre investigados e restrição de acesso a órgãos públicos. A instituição manteve o pedido de afastamento do prefeito do cargo. A decisão final cabe ao tribunal.
Os promotores exonerados afirmam que o parecer contraria análises técnicas acumuladas na investigação, fragilizando o combate ao crime organizado e a credibilidade do MP-MA. Eles descrevem uma organização criminosa estruturada na Prefeitura e Câmara de Turilândia, com divisão de tarefas entre políticos, empresários e operadores financeiros. Empresas de fachada emitiam notas fiscais frias para fraudar licitações e pagamentos de serviços inexistentes, especialmente em Saúde e Assistência Social. Parte dos recursos seria repassada a vereadores para aprovar contas e driblar fiscalizações.
A exoneração é vista nos bastidores como um racha profundo na instituição. Apesar da saída, o Gaeco promete entregar relatório detalhado para continuidade dos trabalhos. Em nota divulgada na segunda-feira (12/1), o MP-MA minimizou o episódio, chamando-o de "alteração natural" em estruturas administrativas. A instituição anunciou a nomeação do procurador Haroldo Paiva de Brito para coordenar o Gaeco e a Coordenadoria de Assuntos Estratégicos e Inteligência (CAEI), com promessa de novas contratações para prosseguir as investigações.
O caso expõe tensões internas no MP-MA e levanta debates sobre independência funcional de promotores frente a decisões da chefia. A Operação Tântalo II, deflagrada em dezembro como desdobramento de fase anterior, segue como marco no combate à corrupção no Maranhão.
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