Às vésperas de deixar a Casa Branca, o presidente Joe Biden enviou ao Congresso uma proposta de reforma na Suprema Corte, destacando a necessidade urgente de enfrentar uma crise de “ética” e “confiança” no Tribunal. Em seus últimos meses de governo, Biden pretende priorizar essa mudança na configuração da Suprema Corte.
A proposta de Biden inclui a implementação de um mandato fixo de 18 anos para os juízes, além de limitar o presidente a uma indicação a cada dois anos. Atualmente, os juízes da Suprema Corte dos EUA ocupam o cargo por tempo indeterminado, saindo apenas quando decidem se aposentar ou quando morrem.
Uma das medidas mais inovadoras é a criação de um Código de Ética para a Suprema Corte. Esse documento estabelecerá regras de transparência para o recebimento de presentes, realização de viagens e divulgação de parentes que atuem como advogados. Biden acredita que essas mudanças são essenciais para restaurar a confiança pública no Tribunal.
A proposta também pode ser vista como uma resposta à insatisfação de Biden com a atual composição conservadora da Suprema Corte, que tem emitido decisões favoráveis ao ex-presidente Donald Trump, como a concessão de imunidade presidencial parcial ao republicano.
Apesar da importância da proposta, suas chances de aprovação durante o mandato de Biden são baixas. A iniciativa pode ser interpretada como um movimento eleitoral, visando atrair apoio em um momento crucial.
O impacto da proposta de Biden pode ir além das fronteiras dos EUA. No Brasil, por exemplo, há um debate contínuo sobre a implementação de mandatos fixos para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Atualmente, os ministros brasileiros podem permanecer no cargo até os 75 anos. A proposta de Biden pode influenciar discussões similares em outros países, promovendo uma reflexão global sobre a duração dos mandatos judiciais e a ética no judiciário.