O desfile da Acadêmicos de Niterói na Sapucaí transformou o Carnaval em palco de embates políticos e jurídicos. Com o enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", a escola de samba traçou a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do operário ao Planalto. O espetáculo não poupou críticas: satirizou o ex-presidente Jair Bolsonaro e retratou a classe evangélica em fantasias de "latas de conserva", gerando polêmica imediata.
A oposição de direita acusa a agremiação de propaganda eleitoral antecipada. O desfile exibiu o número e o símbolo do PT, o que, segundo opositores, viola a lei eleitoral — propaganda para cargos eletivos só é liberada a partir de 15 de agosto do ano da eleição. Eles destacam incoerência do TSE: em 2022, o ministro Alexandre de Moraes vetou o uso de imagens do 7 de Setembro na campanha de Bolsonaro. "É um abuso descarado", criticam vozes conservadoras.
Do lado esquerdo, governo e PT rebatem com veemência. Argumentam que se trata de pura manifestação cultural, sem apelo explícito a votos. O Planalto orientou ministros a boicotarem o evento para evitar contestações. Ainda assim, há apreensão nos bastidores sobre reações do Judiciário, especialmente com Nunes Marques e André Mendonça — indicados por Bolsonaro ao STF — assumindo a presidência do TSE em junho.
Analistas políticos minimizam riscos de inelegibilidade para Lula, mas alertam que o episódio pode azedar o tom da pré-campanha presidencial de 2026. Não é novidade: em 2006, ano eleitoral, vereadores petistas em São Paulo acionaram a Justiça contra a escola Leandro de Itaquera por homenagear Geraldo Alckmin e José Serra. A história se repete, misturando samba, política e tribunais.
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